Luto

Beijo do Gordo: relembre a trajetória do apresentador Jô Soares

Por Thais Perez |
| Tempo de leitura: 2 min
Jô Soares
Jô Soares

Atenção: se Jô Soares não tivesse existido, é possível que este texto que você está lendo, também não.
Falecido nesta sexta-feira, dia 5 de agosto, Jô Soares era uma inspiração para qualquer jornalista. Humorista de profissão, José Eugênio Soares tinha o maior dos dons que um profissional da comunicação pode ter: saber ouvir.
Nascido em 1938, Jô iniciou sua carreira 1956, no humorístico "Praça da Alegria", passou pela TV Globo e teve seu maior destaque como comediante em "Viva o Gordo", que estreou em 1988.
No programa de esquetes, Jô interpretava os mais diversos personagens, arrancou risos do público com seu entendimento do povo brasileiro. Depois, o humorista trouxe o formato do norte-americano do "Talk Show", do qual foi dono por muito tempo: fez escola em uma carreira de quase 30 anos, com 14 mil entrevistas no currículo.
No papel de entrevistador e apresentador, Jô Soares encontrou mais um holofote para ocupar. Trouxe artistas famosos que se sentiam à vontade para contar histórias para um amigo em frente às câmeras.
Uma de suas entrevistas icônicas foi o convite que fez à Hebe Camargo, Nair Belo e Lolita Rodrigues.
Jô foi uma das "comadres" e entregou uma entrevista lembrada até hoje, com muito bom humor, recheada de lembranças.
Não só celebridades passaram pelo sofá do Jô. Histórias de até então anônimos se tornavam grandes ao lado dele, que tinha um olhar especial para identificar bons personagens.
O ex-vereador Claudio Gaspar, de Cachoeira Paulista, foi um deles. Conhecido como "vereador gago", a entrevista com Jô "viralizou" mesmo sem a presença forte da internet como temos hoje. Ele foi selecionado pela produção de Jô depois de escrever um e-mail falando sobre sua gagueira. "É um ser humano que conseguiu melhorar a vida das pessoas. Tenho muita gratidão a ele por ter melhorado minha fala, ter tido muito respeito comigo. Por causa dele, consegui expressar o que sentia", contou 'Claudinho', em entrevista a OVALE.
Afastado da TV em 2016, Jô Soares lançou 10 livros, entre eles "O Xangô de Baker Street" em que imaginou o famoso detetive Sherlock Holmes em terras tupiniquins. Em 2017 e 2018, lançou dois volumes de sua autobiografia.

REPERCUSSÃO.
Jô Soares faleceu no Hospital Sírio-Libanês, na cidade de São Paulo, onde estava internado desde o dia 28 de julho para tratar uma pneumonia. Na tarde dessa sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro (PL), postou em sua conta no twitter uma mensagem em homenagem ao apresentador.
"Jô sempre fez bom uso do seu direito de livre expressão. Por muitas vezes teceu duras críticas contra mim, inclusive. Mas foi por viver num país livre, não em um regime autoritário, que ele pode exercê-lo integralmente. Essa é a beleza da democracia".
O corpo de Jô Soares foi velado nesta sexta em uma cerimônia restrita a amigos e parentes, em São Paulo. Seu sepultamento também será fechado ao público, a pedido do artista.
 

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