De passagem pelo Vale do Paraíba, o médico infectologista Jean Gorinchteyn, secretário estadual da Saúde, admitiu aumento da pandemia do coronavírus em São Paulo, com alta das internações, mas ainda em patamar abaixo do pico: “36% menor do que vimos no pico da Ômicron”, disse ao Gabinete de Crise de OVALE.
Entre no nosso grupo do WhatsApp e fique sempre ligado nas notícias mais importantes da RMVale, do Brasil e do mundo - Clique aqui e esteja sempre bem informado!
Gorinchteyn recomenda o retorno ao uso de máscaras em locais fechados e a manutenção do processo de vacinação. “Temos hoje 2,7 milhões de pessoas que ainda não tomaram a segunda dose e 10 milhões que não tomaram a terceira dose”, afirmou. Confira.
Qual a situação da Covid em São Paulo?
Tivemos um incremento do número de casos e especialmente de internações. Esse número é 36% menor do que vimos no pico da Ômicron, no começo de fevereiro, quando tivemos 4.300 internações em UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Hoje estamos com 900. A vacinação está sendo otimizada.
Começamos a quarta dose fazendo o reforço para pessoas acima de 50 anos. E também agora profissionais da área da saúde. Isso vai fazer com que, principalmente esse público mais vulnerável que evolui de forma mais grave, seja idealmente protegido e atendido. Bem como a recomendação que fizemos por meio do Comitê Científico, do qual faço parte, do uso de máscara em ambiente fechado.
Quando havia caído a obrigatoriedade do uso de máscara, em 17 de março, ainda fizemos orientações para grupos específicos, que eram idosos, gestantes, portadores de doenças crônicas para que ainda mantivessem o uso de máscara em ambientes fechados.
Agora essa extensão de orientação para todos é porque estamos vivendo de forma extemporânea a baixas temperaturas e naturalmente as pessoas se aglomeram mais em ambientes não arejados e ventilados, e a circulação de vírus respiratórios acaba sendo muito grande, seja da Covid ou gripe.
Leia mais: 815 dias de pandemia: Vale chega a 512 mil casos e 7.827 mortes por Covid
Leia mais: Após dois meses de queda, Covid sobe no Vale e ameaça 4ª onda
Leia mais: Mesmo com alta em novos casos, vacinação mantém letalidade 92% menor do que pico da doença em 2021
A saída é vacinar?
A vacinação é fundamental. Temos hoje 2,7 milhões de pessoas que ainda não tomaram a segunda dose e 10 milhões que não tomaram a terceira dose. Quando a gente vai olhar a gripe que convocamos pessoas com risco de desenvolver de formas graves e fatais, temos 38% da população vacinada. Temos as gestantes 11%, crianças 20%, profissionais da saúde 38% e idosos 48% e isso é muito baixo. Precisamos conscientizar as pessoas da necessidade de se vacinar.
O governo de São Paulo entende a necessidade de fazermos campanhas anuais. Estamos fazendo as interlocuções com o Ministério da Saúde, que tem que deixar essa previsibilidade, assim como é feito com outros vírus respiratórios.
O sr. se reuniu com a DRS 17, aqui no Vale?
Temos no estado 538 mil cirurgias represadas e só na região são 24 mil. Fizemos uma reunião convocando hospitais municipais, privados e filantrópicos para que estejam dentro desse mutirão.
O chamamento e as cirurgias já começaram nos hospitais estaduais. Vamos fazer com que nesses cinco meses as pessoas sejam dignamente atendidas. Elas não estão apenas esperando, mas estão com dor, que precisariam resolver um problema até oncológico e isso é olhar de respeito e de humanidade para esse público.