Economia

Em xeque, China e América do Sul estão com negócios em alta no Vale

Por Xandu Alves@xandualves10 |
| Tempo de leitura: 3 min

A China e as nações da América do Sul são as que mais tiveram aumento na compra de produtos da RMVale em 2018, até o mês de setembro, na comparação a 2017. Esses países estão entre os principais importadores da região.

No entanto, a balança comercial do Vale do Paraíba poderá ser afetada caso o governo de Jair Bolsonaro (PSL) leve adiante manifestações feitas pelo economista Paulo Guedes e pelo próprio presidente eleito.

O futuro ministro da Fazenda disse que o Mercosul não será prioridade, por ter viés "ideológico". Bolsonaro criticou a relação comercial com a China, dizendo que o país "não compra do Brasil, mas está comprando o Brasil".

De janeiro a setembro, a China comprou US$ 2,383 bilhões do Vale, alta de 17,55% ante a importação em igual período de 2017, com US$ 2,027 bilhões. Neste ano, o país asiático consolidou-se à frente dos Estados Unidos como maior comprador da RMVale.

Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

AMÉRICA.

Já o bloco comercial da América do Sul aumentou em 14% as importações do Vale, com US$ 1,894 bilhão ante US$ 1,661 bilhão.

Considerando apenas o Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai), a alta foi de 25% nas compras dos produtos feitos na RMVale, com US$ 1,385 bilhão contra US$ 1,108 bilhão.

Já a América do Norte reduziu em 24% as importações, de US$ 2,719 bilhões para US$ 2,069 bilhões de janeiro a setembro.

O percentual refere-se aos Estados Unidos, que reduziram as compras de US$ 2,453 bilhões para US$ 1,856 bilhão. Os americanos ainda são o 2º maior comprador do Vale.

REAÇÃO.

Em editorial, o jornal China Daily, espécie de porta-voz do governo chinês, chamou Bolsonaro de 'Trump Tropical' e disse que se o país romper acordos com Pequim, como fez o americano, quem sofrerá "será a economia brasileira".

'Governo deve manter acordos existentes e abrir outros', declaram economistas

Para Cesar Augusto Teixeira, diretor da regional de São José do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), é cedo para avaliar as declarações dos bolsonaristas, mas ele defende que portas não sejam fechadas.

"Tem que abrir mais o mundo geral e buscar [outros parceiros comerciais], sem prejudicar os acordos que existem. Procurar não prejudicar os que já existem e abrir outros", afirmou.

O economista Jair Capatti Júnior, da consultoria Metricas Otimização de Negócios, acredita que o governo deve "adotar um discurso de manutenção, não de negação". "Não tem como desprezar a China. Questão ideológica não entra. Comércio exterior é assunto técnico. Tem que esquecer a ideologia e partir para a questão pragmática".

EUA e Israel devem ganhar força comercial com o governo Bolsonaro

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) tem dito que pretende intensificar a relação comercial com os Estados Unidos e países como Israel, fugindo do que ele chama de "questão ideológica" que teria marcado a relação comercial externa brasileira nos últimos governos.

No governo de Donald Trump, os EUA reduziram em 10,46% a compra de produtos feitos na RMVale: US$ 4,664 bilhões ante US$ 5,209 bilhões, no governo anterior. A relação comercial do Vale com Israel é limitada a compras de US$ 82 mil neste ano, queda de 20% ante os US$ 102,5 mil de 2017.

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