Construção do Memorial Cassiano Ricardo, em São José dos Campos, só deve ocorrer com auxílio da iniciativa privada. A informação foi confirmada na tarde a OVALE pelo prefeito Felício Ramuth (PSDB).
Segundo ele, não há hoje verba pública disponível para que seja construído o prédio, cujo projeto foi desenhado, em 2000, pelo arquiteto Oscar Niemeyer, a pedido do então prefeito Emanuel Fernandes (PSDB).
"Sem dúvida, se tiver interesse da iniciativa privada, a gente se compromete a realizar esse tipo de obra na cidade, como o Memorial, que é muito importante. Mas, hoje, ele não faz parte nem das prioridades do município nem do plano de gestão para que a gente possa investir recursos públicos nisso", afirmou Ramuth.
"Mas, sempre que tivermos uma parceria, em que a iniciativa privada possa arcar com os custos desse memorial, pode haver interesse. Aliás, há, desde que a gente não tenha de retirar dinheiro hoje da saúde e educação para a construção do memorial", continuou.
Dessa forma, segundo o governante, não há no momento qualquer previsão para que o prédio seja erguido nos próximos três anos. "Ao longo da nossa campanha, a realização desse memorial foi um tema que não nos comprometemos com a cidade, apesar de eu entender a importância dele e a beleza do projeto. Mas, nesse momento, estamos focado em outras áreas para que possamos oferecer melhores serviços", disse o prefeito.
Histórico.
No último sábado, OVALE revelou com exclusividade, que a Prefeitura de São José, em resposta a um pedido de Caçapava de "doação de estudos preliminares e documentos oficiais realizados pelo arquiteto Oscar Niemeyer", disponibilizou as plantas e os arquivos de mídia, autorizando, dessa forma, que a cidade vizinha construísse o memorial.
O documento, assinado pelo prefeito, em agosto deste ano, gerou polêmica entre estudiosos de Niemeyer, Cassiano Ricardo e os familiares do poeta.
Segundo Regina Célia Ricardo, neta de Cassiano Ricardo, e parte da comissão do Memorial na época em que ele foi articulado junto ao escritório do arquiteto carioca, a família pretende levar o caso ao Ministério Público, para que a decisão seja revertida.
Engavetado desde 2000, o projeto teve um custo de R$46.200 pagos pela prefeitura em duas parcelas. Na ocasião, cogitou-se construí-lo onde hoje se localiza a praça Torii, na avenida Cassiano Ricardo, no Jardim Aquarius. No entanto, com a construção orçada em R$ 1,5 milhão, optou-se por guardá-lo para outro momento. Desde então, todas as outras tentativas de tirar o memorial do papel fracassaram.
A Prefeitura de São José garante que "o que aconteceu (em relação ao ofício com pedido de doação de Caçapava) foi meramente a disponibilização de cópias dos documentos entre dois entes públicos e não a formalização da doação".
Até o fechamento desta reportagem, OVALE não teve acesso ao contrato assinado entre a Prefeitura e o escritório do arquiteto Oscar Niemeyer na ocasião da compra do projeto.
Dessa forma, resta a dúvida se Ramuth poderia disponibilizar os documentos para Caçapava ou quaisquer outra cidade, como havia sugerido ele em entrevista a OVALE. Questiona-se ainda se os croquis, cujos desenhos originais pertenciam a família Prestes - segundo informações da galeria TNT Arte, do Rio de Janeiro, que levou os desenhos a leilão em 2014 -, faziam parte dos documentos que deveriam estar arquivados na cidade.
OVALE aguarda desde o início da semana retorno da Fundação Niemeyer e do escritório Niemeyer Arquitetos Associados. Membros da família Prestes ainda não foram localizados para comentar o caso..