A troca de comando no Ministério das Cidades, na semana passada, obrigou o governo Felicio Ramuth (PSDB) a abrir uma nova rodada de negociações em Brasília na última sexta-feira. O foco será discutir mudanças no projeto do BRT (Transporte Rápido por Ônibus).
O secretário de Mobilidade Urbana, Paulo Guimarães, fez contato com técnicos da pasta. A ideia é voltar ao Distrito Federal em até 15 dias.
"Nesta sexta-feira, houve contato com o Ministério. Vamos marcar para os próximos dias uma visita. Faremos mais uma rodada de negociação sobre projetos. Isso demonstra que o trabalho não parou. É um trabalho de técnicos. Eu não participo das reuniões", disse Felicio.
O BRT tem financiamento de R$ 800 milhões pela Caixa. Outros R$ 40 milhões correspondem à contrapartida da Prefeitura de São José.
A administração discute, desde o primeiro semestre, uma mudança nos rumos do projeto desenvolvido na gestão do ex-prefeito Carlinhos Almeida (PT). Somente após essa etapa será possível saber o destino da proposta.
"Destacamos a importância de que o novo projeto esteja de acordo com o Plano de Mobilidade Urbana, concluído em 2016. A gente tinha um projeto que não contemplava o Plano de Mobilidade. Isso tudo está em Brasília. O resultado, não sei. Mas vamos trabalhar e, depois, a gente vê", declarou o prefeito de São José.
MUDANÇAS.
Uma falha já detectada pelos engenheiros, e que será avaliada em Brasília, está no terminal do BRT projetado pelo arquiteto Ruy Ohtake em abril de 2015. A proposta arquitetônica e urbanística teria espaço insuficiente para que os ônibus consigam manobrar na saída da plataforma.
A Secretaria de Mobilidade Urbana ainda analisa como funcionará a integração do BRT com o restante do sistema de transporte da cidade. Isso porque a licitação vencida pelas três empresas de ônibus não prevê o novo modal.
O governo ainda quer expandir o sistema a Estrada do Cajuru, na zona leste.
São José prevê investir 32% do valor total do BRT nos próximos quatro anos
Embora tenha iniciado uma nova rodada de negociação, após a troca de Bruno Araújo por Alexandre Baldy no Ministério das Cidades, o projeto do BRT não está entre as prioridades do governo Felicio Ramuth.
Nos próximos quatro anos, a prefeitura prevê investir no projeto de mobilidade urbana apenas 32,7% dos R$ 840 milhões da obra.
A informação consta no PPA (Plano Plurianual) 2018-2021, entregue pela atual administração à Câmara Municipal. O Paço estima utilizar R$ 275,263 milhões para a construção do BRT na cidade.
Desse montante, R$ 45,414 milhões seriam utilizados no próximo ano. Em 2019, haveria mais 143,709 milhões para o projeto. Já em 2020, a previsão é de 86,140 milhões. Para 2021, não há previsão de valores para o projeto..