Um transatlântico de luxo sai de Barcelona com destino a Buenos Aires, na Argentina. Oficialmente, o barco levava 580 passageiros, mas há versões que apontam mais de 700 clandestinos viajando no porão para fugir da guerra. Corria o ano de 1916.
A bordo também havia grande quantidade de metais, vinho, fios elétricos, 12 estátuas de bronze e muito ouro.
Na madrugada de 6 de março, com pouca visibilidade e mar agitado, o navio bate na laje submersa da Ponta da Pirabura, no mar em Ilhabela. O casco rasga, caldeiras explodem e cerca de 450 pessoas morrem. O navio afunda.
Um século depois, o mergulhador Cesar Gentile, 45 anos, de Caraguatatuba, revisita a história com mais de 400 expedições subaquáticas aos destroços do Príncipe de Astúrias, o navio espanhol que ficou conhecido como 'Titanic brasileiro'.
Gentile é parte de um seleto grupo de mergulhadores profissionais que "caçam" tesouros submersos, prática conhecida como "arqueologia subaquática".
Mergulhador e instrutor com 22 anos de experiência, 18 deles explorando naufrágios pelo mundo, Gentile lista ao menos 10 navios naufragados no mar do Litoral Norte, como os ingleses Aymoré (1920), Velasquez (1908) e Dart (1884) e o alemão Therezina, além do Astúrias.
Cavernas e naufrágios estão entre os mergulhos tecnicamente mais exigentes, em razão da profundidade, pouca visibilidade e condições precárias das embarcações.
"É preciso usar cabo para não se perder, há perigo de desmoronamento, enrosco, perda de visibilidade, chuva de sedimentos, correnteza e o mergulhador tem que saber manejar itens como lanterna, carretilhas e gás", conta Gentile, que já visitou destroços de navios, submarinos e até aviões em mais de 10 países.
Atualmente, a Marinha do Brasil atualiza o mapeamento de naufrágios na costa brasileira, cujo primeiro levantamento vai até 1950..