Nesta quarta-feira (19), uma das mais expressivas críticas já escritas por Monteiro Lobato completou 100 anos. No foco, a exposição que a pintora modernista Anita Malfatti (1889-1964) realizava em São Paulo.
Publicado no jornal "O Estado de S.Paulo", em dezembro de 1917, no texto, embora reconhecesse o "talento vigoroso" e "fora do comum" de Anita, o escritor afirmou que sua "arte anormal" nascia com a "paranoia e com a mistificação".
A primeira consequência da crítica pôde ser sentida no bolso: cinco das oito telas compradas foram devolvidas. Lobato, na ocasião, disse ainda que a única diferença entre as telas expressionistas da pintora e os desenhos "que ornam as paredes internas dos manicômios' é que, nos manicômios, a "arte é sincera, produto ilógico de cérebros transtornados pelas mais estranhas psicoses".
Fato é que o pai de Jeca Tatu era nacionalista e não via com bons olhos o interesse de Anita pelas teorias modernistas 'importadas' - futurismo, cubismo e impressionismo.
VIRADA.
A sorte de Anita foi ter encontrado em seu caminho Mário de Andrade e Oswald de Andrade, que defendiam os mesmos ideais que a moça, incluindo o distanciamento do realismo, até então tradicional na elite cultural.
Cinco anos depois da dura crítica, a pintora expôs seus trabalhos na Semana de Arte Moderna, de 1922, um divisor de águas na história da arte no país..