Ele se acostumou a olhar estruturas minúsculas, as moléculas. Formado e com extensa carreira acadêmica na área de química, Milton Beltrame Júnior, 54 anos, resolveu encarar o desafio de cuidar de um gigante, a Univap (Universidade do Vale do Paraíba), com seus 4.300 alunos, 400 professores e funcionários e 40 cursos.
Ao lado do diretor da Faculdade de Direito, Sérgio Bacha, Beltrame Júnior, atual diretor da Faculdade de Educação e Artes, foi eleito pelo conselho da FVE (Fundação Valeparaibana de Ensino) o novo reitor da Univap.
Nesta entrevista a OVALE, Beltrame Júnior fala dos seus planos, da meta de aproximar a universidade da sociedade e do relacionamento com os alunos. Confira:
O que fará no mandato?
Beltrame: Colocar em prática as nossas ideias, e aí precisamos da colaboração de todos. Trabalhar junto com todos. Agora é união. Queremos a Univap mais unida.
Como será a gestão?
Beltrame: Temos ideias e posições e serão todas discutidas. Podemos convencer ou sermos convencidos. É ser transparente. Teremos uma gestão mais participativa, ouvindo e discutindo. Também para os alunos. Eles têm que entender como o curso dele caminha, porque tem determinada aula, quando entra extensão, pesquisa, laboratórios, para que faça as escolhas dele.
O que deve ser feito?
Bacha: Ideia central é trabalho em equipe. Temos muita gente valorosa na universidade que precisa ser reunida e mais ousada nas suas respectivas áreas de atuação. O que está disperso passar a ser algo mais concentrado, dando fruto a ideias coesas. Nosso time é grande. Pretendemos reunir esses times por área, concentrar as discussões, debates e ideias e daí extrair o que é de melhor, e estabelecer estratégias de execução daquilo que as equipes foram capazes de produzir.
Quais são as ideias?
Beltrame: Pretendemos ter a Univap mais forte. Sim, com mais alunos, mas dentro da capacidade. Não pretendemos ter número maior do que permite a nossa qualidade de formar profissionais de excelência. A gente acredita muito na interação do professor com o aluno. Queremos aumentar o acesso dos alunos aos professores.
Como vai ser a relação com a comunidade?
Beltrame: Esse é o ponto em que precisamos mais atender. Enxergamos uma Univap, para a qual somos apaixonados, e achamos que a sociedade ainda não nos conhece tão bem. Nossa tarefa é ir até a comunidade e mostrar que somos bons e achamos que está faltando, e aí acho fundamental a pesquisa e extensão nesse caminho.
A Univap vai aproximar da indústria?
Beltrame: Esse é um dos caminhos principais que seguiremos. Temos algumas parcerias importantes com empresas e concessionárias de rodovias. Precisamos ir até as indústrias e perguntar a elas qual o gargalo que nós, na qualidade de pesquisa, podemos resolver. Colocar nossos pesquisadores nisso, mas sempre voluntariamente. Se a indústria ganha, a pesquisa também ganha.
Como será a pesquisa?
Beltrame: Vamos continuar respeitando muito a decisão do pesquisador e sua autonomia. Vamos colocar canal de comunicação muito forte e instrumentalizar com a gestão da Univap, para que o pesquisador tenha acesso à empresa, e vice versa. Fazer com que o professor tenha proximidade maior da graduação, criando espaço para grupos de estudo da pesquisa dele. Para que esses alunos aproveitem esse conhecimento. Não é alterar a pesquisa, nem mudar área de ação, laboratório ou estrutura. Isso não vai acontecer.