Viver

O representante especial do Bom Velhinho em São José dos Campos

Por Paula Maria Prado@paulamariaprado |
| Tempo de leitura: 2 min
Sr Rubens Campolino
Sr Rubens Campolino

De trás de uma das pilastras do shopping, Papai Noel viu quando o pequeno Pedro correu em direção ao seu representante e lhe deu um abraço carinhoso. Tinha acertado em cheio em sua aposta: crianças são especiais, enxergam muito além de tons de pele.

A imagem daquele tradicional Papai Noel nórdico sempre o incomodou - poucos sabem, mas a verdade é que o bom velhinho assume a forma que lhe convém. Mas, até então, ele não havia tido a oportunidade de inserir novos membros a sua equipe. Tinha, na verdade, receio. Afinal, as pessoas abraçariam a ideia?

Então percebeu que a hora tinha chegado. Eram tantos os debates sobre diversidade e representatividade no mundo, que a aposta lhe pareceu obrigatória. Mal sabia ele que o desafio de encontrar o Papai Noel negro seria grande.

Pediu ajuda aos céus e enfim encontrou em São José dos Campos: Rubens Campolino, 70 anos, metalúrgico aposentado que viveu, entre as tristezas da vida, episódios de discriminação racial. Por outro lado, guarda no currículo, simplicidade, humildade, as melhores palavras na ponta da língua, riso fácil e contagiante e paciência, aliás, muita!

"O trabalho será cansativo, verdade, mas recompensador", garantiu o Papai Noel ao indeciso senhor.

"No começo, achei estranho... Fiquei com receio", confessou depois o idoso a OVALE. "Depois, conversamos bastante. E me rendi", abriu ele seu sorrisão.

Papai Noel é teimoso, não desiste fácil, e tinha uma carta certeira na manga: abriu o guarda-roupa, tirou um dos conjuntos de que mais gosta e deu ao idoso. "Vista-se, por favor!", convidou.

Pronto, a magia se fez.

ABRAÇOS E SORRISOS.

Sr. Rubens, escolhido para ficar no posto do shopping Vale Sul, se olhou no espelho. Ajeitou um ou outro detalhe na vestimenta. Percebeu: o frio estava na barriga, a tremedeira nas mãos, o nervosismo no peito. Toda estreia é mesmo difícil, né?

Era hora de ir para o seu posto. Estava com "medo", e se fosse vítima de preconteito? Encarou o desafio. No canto do olho viu uma criança sorrindo. Depois mais uma. O shopping parou. Quem não queria tirar uma foto com o Papai Noel? Se convenceu: tinha nascido para aquilo. Não havia dúvidas. "Criança não tem preconceito algum! Em dois anos como parte da equipe, eu nunca ouvi uma criança comentar sobre eu ser negro. Crianças são iluminadas", cravou Rubens.

"Agora peguei gosto. Ser Papai Noel é uma felicidade imensa. Espero poder representá-lo por mais alguns anos", continuou. Que assim seja!.

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