Foi observando a fé das pessoas que o artista plástico e ceramista Carlo Cury começou a desenvolver suas Marias. Ele percebeu que, se no começo a peça era, a grosso modo, matéria prima esculpida, quando tomava forma ganhava novo significado aos olhos de todos. Não só suas esculturas emocionavam, como determinava uma relação de respeito com os santos retratados.
E foi a partir daí que nasceu "Maria Mãe de Todos", exposição que está em cartaz no Museu de Arte Sacra de São José dos Campos até o dia 30 de junho.
As peças, todas em argila, trazem conceitos que o artista adquiriu com o mestre Wandok Cavalcanti, um dos maiores santeiros do país e que produz esculturas inspiradas no estilo barroco.
"Até seis anos atrás trabalhava com pintura, então comecei a me interessar mais por cerâmica e passei a desenvolver um trabalho artístico tridimensional, dentro do caráter utilitário", afirmou o artista, que também formou-se em arquitetura na Faculdade de Belas Artes, de São Paulo, em 1987. "Ainda assim, a questão religiosa sempre foi um tema muito presente na minha vida".
RELIGIOSIDADE.
Religioso desde criança, sempre que avistava uma igreja, Cury queria conhecê-la internamente. "Eu gosto da estética sacra. Já adulto fiz cursos na área de cerâmica até que me apaixonei pela arte barroca. Então procurei Cavalcanti. Algumas peças desenvolvi com a sua ajuda, outras fiz sozinho em meu ateliê", contou.
Natural de Piraju (SP), Cury mora hoje em Caraguatatuba,no Litoral Norte. Eventualmente, abre seu ateliê a visitantes que queiram conhecer mais sobre sua técnica, que faz com que suas peças adquiram o tom avermelhado característico.
SERVIÇO.
O Museu de Arte Sacra fica na travessa Chico Triste, 67, no Centro. A visitação acontece de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. Informações: (12) 3921-7226..