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Moradora relata desespero depois de ameaça de despejo

Por Redação@jornalovale |
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Em xeque. Operação teve diversas irregularidades, segundo o MPF
Em xeque. Operação teve diversas irregularidades, segundo o MPF

Desespero, tensão, sensação de impotência e alívio momentâneo. Esses sentimentos resumem os últimos dois dias da diarista Andreia Alves de Morais, de 36 anos, que é moradora do conjunto habitacional Sérgio Lucchiari, no Barreiro. Entre quarta e quinta-feira, ela foi ameaçada de despejo do imóvel conquistado em 2015, por meio de um sorteio. Uma reintegração que ocorreria sem a existência do devido processo legal, sem decisão judicial.

A acusação: ela teria alugado o apartamento a outra pessoa. A diarista, que mora com os cinco filhos, com idades entre 5 e 20 anos, nega. "Disseram que aluguei minha casa, mas vieram várias vezes aqui e não conseguiram comprovar nada", disse. "Eu saio cedo e volto tarde, não tem como ficar esperando por eles para mostrar que moro aqui", completou.

A primeira visita de servidores da prefeitura à casa de Andreia teria ocorrido no início de fevereiro. Na época, diante da ameaça de despejo, ela afirma ter procurado o prefeito Ortiz Junior (PSDB) e ouvido dele e de assessores que o caso dela era um engano, que não teria que deixar o imóvel.

A relativa tranquilidade durou até essa quarta, quando Jarbas Nogueira Martins, gerente de área da Secretaria de Segurança - o mesmo que agrediu um casal de moradores durante outra desocupação no conjunto, em fevereiro -, retornou ao imóvel e disse que Andreia teria que deixar o apartamento na manhã dessa quinta-feira.

Apavorada, a diarista relatou o caso à Polícia Militar, por meio do 190. A atendente explicou o que diz a lei: uma reintegração só pode ser feita após decisão judicial. "Alguém chegar e falar que tem que sair da casa, não existe. Se alguém chegar e não apresentar papel nenhum, a senhora liga 190", orientou a policial.

Nessa quinta, às 8h30, Jarbas e outros funcionários da prefeitura chegaram ao apartamento de Andreia. Levaram um caminhão, para fazer a mudança. A diarista trancou a porta e disse que não permitiria a entrada dos servidores se não houvesse ordem judicial. "Só saio se tiver uma decisão", disse.

Andreia ligou novamente ao 190 e acionou a PM, que segundo ela não apareceu no local. "Umas viaturas vieram e pararam na entrada do conjunto, mas não vieram até aqui em casa". Diante do impasse, a equipe da prefeitura foi embora, sem fazer o despejo. "Disseram que hoje eu ganhei, mas que isso ainda não terminou", relatou a diarista.

À tarde, Andreia denunciou o caso à Defensoria Pública e também ao Banco do Brasil, instituição financeira responsável pelo conjunto - apenas o banco poderia requerer a reintegração, via Justiça.

OUTRO LADO.

A reportagem de OVALE questionou a prefeitura nessa quinta-feira para saber quais são as acusações contra Andreia e que provas a administração municipal tem contra ela. Não houve resposta.

Em entrevista na semana passada, o prefeito Ortiz Junior (PSDB) alegou que todas as desocupações nos dois conjuntos do Barreiro - o Sérgio Lucchiari e o Benedito Capelleto - foram motivadas por relação com o tráfico de drogas. O relato da diarista, no entanto, se soma ao de outros moradores que afirmam terem sido acusados de vender ou alugar os imóveis.

Questionada pela reportagem, a PM negou que o chamado de Andreia na manhã dessa quinta tenha sido ignorado. "A equipe da Polícia Militar deslocou-se para o conjunto habitacional Sérgio Lucchiari, onde se deparou com agentes da Prefeitura Municipal de Taubaté. Ao indagarem os agentes sobre possível desocupação de imóvel no local, foram informados que não seria realizada nenhuma desocupação, visto que a documentação apresentada pela moradora estava regular. Diante disso, a viatura encerrou o atendimento e retornou ao patrulhamento preventivo na região"..

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