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Do rabo e chifre à roupa de chita: a folia do Carnaval em São Luiz

Por Caíque Toledo@jornalovale |
| Tempo de leitura: 2 min
TRADIÇÃO.
Bloco do Juca Teles é um dos mais tradicionais do município, levando milhares de foliões para as ruas.
TRADIÇÃO. Bloco do Juca Teles é um dos mais tradicionais do município, levando milhares de foliões para as ruas.

Imagine que as quase 200 mil pessoas que passam os quatro dias de Carnaval em São Luiz do Paraitinga acordassem na manhã de Quarta-feira de Cinzas com rabo e chifre?

Pode parecer piada, mas essa era a 'pena' de quem pulava a folia na cidade, de acordo com o padre que comandava a paróquia luizense no início do século passado, nos anos 1920.

O padre italiano Monsenhor Ignácio Gióia logo mostrou seu desapreço pelas festividades. Aos poucos, conta a história que foi fazendo pregações contando que nasceriam rabo e chifre em quem pulasse o Carnaval e até que a cidade sofreria com uma grande enchente se a festa continuasse.

Graças a ele, São Luiz do Paraitinga passou mais de 60 anos sem festa.

FOLIA.

A coisa só foi mudar nos anos 1980, quando os luizenses se organizaram para começar a montagem da festa como conhecemos atualmente.

E isso só aconteceu após reportagens da imprensa que não entendiam como uma cidade, àquela altura, ainda não pulava Carnaval. Alguns moradores se sentiram 'ridicularizados', e resolveram retomar a folia. Mesmo com a penitência de Gióia.

Surgiram os festivais, o envolvimento cultural foi ficando cada vez maior, e a cidade de Elpídio dos Santos passou a cada vez mais produzir suas próprias marchinhas. Já são centenas, entoadas durante todo o ano -- não só durante os quatro dias de folia.

Hoje, para o que certamente seria um desespero para o padre italiano, São Luiz tem um dos Carnavais de rua mais famosos do Brasil, e que já foi destaque até na imprensa internacional. O rabo e chifre foram substituídos pela roupa de chita e pela decoração de flor. Com muita música e festa durante o ano inteiro.

Mesmo após a forte enchente de 2010 (como previu o padre?), a cidade não parou de respirar o Carnaval, tendo ano após ano a festa mais genuína e esperada de toda a RMVale.

O Juca Teles, o Barbosa e tantos outros personagens são disputados pelos foliões, que até a próxima terça poderão curtir mais de 50 blocos e shows pela cidade que hoje respira Carnaval.

Neste ano, graças a novos problemas estruturais, os tradicionais blocos terão trechos somente com banda no chão e também vão voltar a sair na rua atrás da Igreja Matriz. Curiosamente, uma rua chamada Monsenhor Ignácio Gióia..

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