Às margens e ao som das águas do Rio Paraíba do Sul, cerca de 45 famílias dividem um espaço de terra. A comunidade ribeirinha do Beira-Rio, no Urbanova, zona oeste de São José dos Campos, na verdade, é composta por grande parte da família de Antônia Ramos, a 'Dona Antônia', de 68 anos, que chegou à comunidade há mais de 40. Mais antiga moradora do local, ela conta que foi morar na casa - hoje com dois cômodos - a pedido do marido, Alziro Ramos.
"Eu falei para o meu marido: 'eu vou sim, mas você vai lá e ergue um cômodo de pau a pique mesmo pra eu ficar'. Aí ele veio, levantou o cômodo de casa e eu vim", disse ela, durante a entrevista.
Vivendo no Beira-Rio, Dona Antônia criou todos os 14 filhos. De netos e bisnetos, ela diz que já perdeu a conta.
"Eu sou mãe de 14 e, rapaz, netos eu perdi a conta. Antigamente eu tinha tudo no caderninho e agora nem anotei mais, porque eu tenho neto, bisneto, trineto", contou, dando gargalhadas.
A pesca é a principal renda das famílias que vivem na comunidade ribeirinha.
Orlando Ramos, 61 anos, irmão de Dona Antônia, mora no Beira-Rio há mais ou menos 35 anos. Pescador, ele aprendeu a atividade com o pai, na juventude.
"Eu comecei com o meu pai, aprendi com ele. Ele pescava com uma canoa maior e eu com uma menor. Fui aprendendo com ele. Eu pesco, limpo e entrego o peixe", relatou Orlando, que vende os peixes no Mercado de São José dos Campos.
ATENDIMENTO.
Isolada, a comunidade, contudo, não é esquecida. Semanalmente, funcionários do Cras (Centro de Referência de Assistência Social) de São José dos Campos vão ao local, para realização de atividades recreativas com crianças e adultos. Especificamente para a comunidade, a equipe é formada, ao todo, por uma assistente social de referência, uma psicóloga e três oficineiros que realizam atividades de arte, música e artesanato com os moradores.
"É um trabalho que tem por objetivo promover essa integração das crianças. Enquanto seus pais e o pessoal da comunidade participa da oficina de artesanato, as crianças também têm a oportunidade ter uma atividade", explicou o coordenador do Cras Centro, Luiz Adolfo Ferreira Vila, que também destacou a importância da presença do poder público na comunidade Beira-Rio.
"É um trabalho muito importante porque é uma comunidade afastada e é a presença da assistência social do município, da Secretaria de Apoio Social ao Cidadão e é a presença do poder público naquela região, levando esse benefício, conscientizando as pessoas desse direito através desse trabalho", disse..