Ideias

a potência política dos afetos

Por Rodrigo VieiraJornalista em São José dos Campos |
| Tempo de leitura: 1 min

Para o filósofo Baruch de Espinosa (1632-1677), as paixões - ou afetos - nascem da opinião, da crença ou do conhecimento que construímos sobre algo, seja por convenção seja por experiência. Esperança, medo, segurança e desespero são afetos de potência política que podem servir tanto para o movimento de transformação quanto estar à serviço do controle e da submissão. O medo é gerado pela sensação de insegurança, quando uma coisa que pode ocorrer seja má, e o desespero é a certeza de que essa coisa má vai acontecer.

Na política, a história brasileira mostra quanto eficaz foi o uso ideológico dos afetos. Na transição do Regime Militar (1964-1985) para a Nova República (1985 até hoje) havia a esperança de que a redemocratização pudesse reduzir as iniquidades do regime anterior produzidas pelo fordismo numa economia de base periférica. Depois de 30 anos de esperanças, restou a frustração dos pactos não cumpridos de um modelo de democracia liberal que fracassou.

A ficha deveria ter caído 2013, quando ficou claro a inviabilidade para sustentar a conciliação de interesses antagônicos - de oligarquias e trabalhadores - restando a via da polarização aos extremos. Sem outro regime capaz de velar o atual, em decomposição, o desespero e a melancolia são as vedetes dos afetos políticos a serem explorados.

Como em qualquer transição histórica, é bom lembrar das ideias do filósofo do século 17 e ter cuidado com o afeto que se sente. Afinal, haja força de ânimo para frear medo de morro abaixo e esperança de morro acima..

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