Se Antônio Fernando Costella, 74 anos, pudesse levar algo para o além, seria uma xilogravura chinesa. De preferência aquela que se encontra no cantinho direito da parede de uma das salas que guarda a sua coleção de obras de artistas internacionais.
Interessado em arte desde criança e apaixonado pela técnica milenar, o advogado e professor aposentado é o fundador da Casa de Xilogravura, em Campos do Jordão. O museu, único do gênero no país - e pouco conhecido, inclusive, por moradores da região - acaba de completar 30 anos de existência.
Morador da cidade desde a década de 1970, Costella, que passou anos envolvido com o direito e a academia, retomou seu gosto pelas artes plásticas após um contato com seu vizinho: o pintor Expedito Camargo Freire. Com 20 obras espalhadas pela casa, resolveu então dividir a beleza de cada uma delas com interessados em arte.
"Fiz curso de xilogravura e fiquei ainda mais apaixonado pela técnica. Então, para dar início ao museu, abri a garagem juntei outros dois cômodos e passei a abrir aos sábados e domingos para interessados", contou Costella.
Atualmente, o acervo conta com cerca de 1.200 artistas. "Ainda hoje quando ando pela casa, fico emocionado em ver as obras. E, quanto mais aprendo, mais intrigado fico com o trabalho dos artistas", disse ele, que parou de fazer seus trabalhos por causa da vista. "Já não consigo ver a ponto de produzir obras com o nível de detalhe que gostaria".
LEGADO.
Todos os dias, o museu recebe novos visitantes que não sabiam de sua existência. "Mudou muito o perfil do turista em Campos do Jordão. Tornou-se mais eclético e numeroso", afirmou.
Em meio a comemoração dos 30 anos, a casa fez uma exposição comemorativa. "Recebemos obras de 204 artistas. Destes, 177 não estavam no meu acervo. E a maioria desses novos xilogravurista têm menos de 30 anos. Ou seja, há uma nova geração com excelentes trabalhos", comemorou.
Costella definiu que ao morrer, o prédio e todas as obras presentes nele serão da USP (Universidade São Paulo), que deverá cuidar do legado. Caso a instituição descumpra alguma cláusula, as obras ficarão a cargo da Unitau (Universidade de Taubaté)..