Cidade mais rica do período do café, entre 1840 e 1860, Bananal guarda em sua história a existência da chamada elite imperial, formada por aqueles que possuíam muitos escravos em suas fazendas.
Foram eles que, com seu dinheiro depositado nos bancos de Londres, chegaram a avalizar empréstimos feitos pelo Brasil para a Guerra do Paraguai, que estendeu-se de dezembro de 1864 à março de 1870.
Aqueles ricos fazendeiros financiaram ainda a construção da Estrada de Ferro Ramal Bananalense e trouxeram uma estação ferroviária inteira da Bélgica.
Quer mais? Bananal chegou a ter sua própria moeda particular e secreta, cunhada nos porões de uma fazenda local, e que circulava livremente entre o município do Vale Histórico e os arredores de Barra Mansa, no Rio de Janeiro.
No entanto o período próspero do chamado "ouro verde" (café) chegou ao fim não só por causa da exaustão das terras locais, mas também por causa da abolição da escravatura, que acabou enfraquecendo a economia local.
Os detalhes dessa história estão no livro "A Boa Vista de Bananal", de Myrna Almeida, que terá seu lançamento oficial neste sábado (27) capitaneado pela editora Netebooks, que tem sede em São José dos Campos.
História.
A obra tem o intuito de orientar turistas a explorar o que há de melhor na cidade e despertar a curiosidade para novos visitantes que desconhecem a história do município.
"Foram 13 anos de produção, com pesquisas e estudos. No início, encontrei apenas quatro livros sobre Bananal em que pudesse ter referência na construção da sua história. Então, amigos, que são professores de história, me falaram que eu encontraria mais informações no museu de Cruzeiro. Foi aí que comecei minha aventura", contou a autora, cuja família é proprietária do hotel fazenda Boa Vista, parte da história local.
"Eu não sou bananalense de nascimento. Mas sou de coração. É minha raiz. Minha segunda casa", afirmou a escritora, que nasceu no Rio de Janeiro, é graduada Publicidade e Propaganda e atua como designer editorial.
"A cidade é inesquecível. E é uma boa opção de turismo para quem quer fugir da rotina e do estresse das grandes metrópoles", continuou.
conhecimento.
No museu Major Novaes, Myrna teve acesso a inventários, registros históricos e jornais antigos.
Segundo ela, a criação da rodovia Presidente Dutra - que teve seu trecho Rio/São Paulo construído na década de 1950 - contribuiu para a estagnação da região como um todo.
"A Dutra, como é popularmente conhecida, praticamente desativou a Estrada dos Tropeiros. E, muitos municípios da região do Vale do Paraíba se tornaram 'cidades mortas', como descreveu Monteiro Lobato, que presenciou a decadência da região na época", contou ela se referindo a obra lançada pelo escritor taubateano em 1919.
Até que, em 1987, Bananal transformou-se em Estância Turística Histórica. Hoje, ela busca crescimento econômico por meio da exploração do turismo e da hotelaria.
Serviço.
O livro "A Boa Vista de Bananal" será lançado às 17h na sede da fazenda Boa Vista, no município do Vale Histórico.
Ela está localizada na rodovia dos Tropeiros, s/n, zona rural. Telefone para contato: (12) 3116-1230.
O livro, de 232 páginas, custa R$ 50 e está à venda na editora: www.netebooks.com.br..