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Cães acompanham coletores de lixo em São José

Por Danilo Alvim |
| Tempo de leitura: 3 min
Cães da Urbam
Cães da Urbam

Melhores amigos de coletores de lixo de São José, a dupla de cães Alemão e Neguinha acompanha o percurso do caminhão todas às terças, quintas e sábados, pontualmente a partir de 7h, na entrada do bairro Santa Inês I, na zona leste da cidade.

Incansáveis, Alemão e Neguinha percorrem o trajeto correndo atrás do caminhão até 13h, já prontos para uma próxima. Nas paradas para descarregar os resíduos no aterro, eles esperam e retomam o trajeto assim que o motorista volta ao bairro.

Com um tempo maior de estrada, Alemão percorre o trecho há cerca de 10 anos. “O pessoal brinca que eles têm até o crachá da empresa. O Alemão é o mais antigo. Antes era ele e sua mãe, que já morreu. Agora é o casal. Não sei como, mas eles sabem o dia e horário que o caminhão chega e parte do bairro", conta o motorista Carlos Alberto de Oliveira Lima.

Carinhosamente acolhidos, os animais são cuidados pelos coletores. Na hora do lanche e do almoço, eles dividem os alimentos com os cães. “Até remédio a gente já passou no Alemão para cuidar dos ferimentos. Ele fica mais tempo com a gente do que na casa dele. Contam que no domingo ele passa o dia todo dormindo. Deve ser para descansar”, explicou Carlos.

A relação entre eles é mesmo diferenciada, já que na maioria das vezes os cães, com o instinto de defender a casa, não gostam da aproximação dos coletores. “Eles protegem a gente dos outros cachorros. Mas quando algum mais bravo se aproxima é a gente que o defende, pois ele já está idoso”, ressaltou o coletor Flávio José dos Santos.

Segundo Flávio, os moradores já se acostumaram e até colocam água gelada para os cães. “Se não for gelada, o Alemão não toma. Teve gente que até já pagou marmitex para eles”. Numa bicicletaria do bairro, eles ganham água e bolo. “Chamo os coletores para tomar um café comigo e os cães são bem-vindos”, disse Ilmar Nogueira de Oliveira, proprietário da bicicletaria. “Vários moradores aqui fazem estes mimos para os coletores. Acho que temos que fazer isto por eles”.

Com chuva ou sol forte, a dupla não desanima. “Eles são guerreiros. O Alemão já correu até com uma pata machucada”, contou Flávio. Em determinado trajeto do caminhão, eles pegam um atalho e logo alcançam a coleta. “Vão tão rápido que até derrubam quem estiver no caminho. E não correm atrás do caminhão da coleta seletiva, apenas do orgânico”, explicou Carlos. Ele disse que chegou a filmar a ação dos cães para mostrar para a esposa que não acreditava que eles corriam o tempo todo atrás do caminhão. “Quando eles chegam atrasados eu fico preocupado, pois o Alemão já está velhinho”.

Carlos lembra que quando começou a trabalhar no bairro, errou a ordem de algumas ruas. Quem o avisou foi Alemão, que parava e latia. “Eu percebia que estava errado. Na mudança da empresa de coleta ele também estranhou a alteração do uniforme. Depois que sentiu o cheiro, percebeu que éramos nós”.

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