Fernando Molinari, 30 anos, sabia desde o início: música instrumental no estilo Fusion Prog (uma mistura de jazz e rock) não é o som "mais popular do mundo"... Aliás, como ele não faz jazz tradicional e bossa nova, entre outros ritmos mais "digeríveis" pelo público, o alcance torna-se ainda mais difícil. Mas a sua aposta é clara: "tudo o que é autoral tem menos espaço, mas a médio/longo prazo é o que abrirá mais portas", crê.
E, ele está certo. Há dez anos vivendo exclusivamente da música, entre os frutos que colheu há parcerias com renomados músicos na área, como Richard Jackson (Canadá) e Greg Howe (USA), além de citações nas principais mídias especializadas, entre elas, "Bass The World" e "Bass Player Magazine", entre outras.
E, na semana passada, Molinari brindou mais um sucesso. Um dos maiores reconhecimentos bateu a sua porta: o baixista levou o prêmio Samsung E-Festival Instrumental 2017, maior prêmio da música instrumental independente do país e que conta com apoio do Ministério da Cultura.
"Ao mesmo tempo que foi uma surpresa, eu sabia que tínhamos chance. O nosso trabalho já tem um público bem legal com o passar dos anos. E, nesse período de divulgação (do concurso) me esforcei bastante para engajar as pessoas", contou.
Foram cerca de 1.000 inscritos e foram selecionados dez finalistas pelo júri. Depois, estes foram a voto popular.
Junto de Molinari, tocam os músicos Davi Filho, na guitarra, e Bruno Valverde, na bateria -- também baterista do Angra. "Eu escrevo as músicas e os arranjos já ficam todos prontos, então no ensaio apenas 'passamos'", disse ele.
NOTAS.
Morador de São José desde os oito anos de idade, Molinari começou na música aos nove anos tocando violão em uma oficina oferecida pela Prefeitura. E foi aos 13 que teve contato com o baixo, instrumento que toca até hoje.
"Quando eu tinha 18 anos, comecei a trabalhar em uma metalúrgica para pagar meus estudos de música. Nessa época, eu já tinha na cabeça que queria ser profissional.
Até que, aos 20, a música virou minha profissão em tempo integral", contou.
O sonho de ter uma banda com vocal sempre existiu, mas na falta de um vocalista que levasse a sério o trabalho, o músico partiu com os amigos para o som instrumental.
Além das bases usuais do estilo que escolheu tocar, Molinari estuda muito música brasileira e latina. Seu primeiro disco, "Identidade", é de 2010, e o segundo, "Built by Elements" é de 2016.
"Vejo que no seu caso não é só talento e vocação. É trabalho!", disse o produtor Ruriá Duprat, em vídeo, no anúncio do resultado da premiação.
Quem quiser ver o baixo de Molinari em ação, anote na agenda: o músico se apresenta com Davi e Valverde no próximo dia 2 de julho no Circo Voador, no Rio de Janeiro; e no Ibirapuera, em São Paulo, no dia 9. O evento também vai contar com a Orquestra Juvenil Heliópolis e a participação da cantora Pitty..