O filho da suplente de vereadora Andreia Gonçalves (SD) foi contemplado com uma bolsa de estudo pelo Simube (Sistema Municipal de Bolsas de Estudo).
Ele é aluno do 1º ano do curso de Medicina da Unitau (Universidade de Taubaté), que tem mensalidade de R$ 6.200. A bolsa é de 80%, o que representa R$ 4.960. O restante, de R$ 1.240, terá que ser pago pelo estudante.
Andreia foi eleita suplente nas duas últimas eleições. Em 2015 e 2016, chegou a atuar como vereadora, durante licença médica do então parlamentar Luizinho da Farmácia (Pros).
Antes disso, entre janeiro e abril de 2013, foi secretária de Meio Ambiente do governo Ortiz Junior (PSDB) – ela era do PV e havia sido indicada para o cargo pelo deputado Padre Afonso (PV), então aliado do prefeito.
Na eleição de 2016, já pelo Solidariedade – ela preside a legenda na cidade--, fez campanha para Ortiz. Esse ano, a irmã dela, Marcia Silva, que integra a executiva do partido, foi nomeada diretora de Serviços Urbanos pelo prefeito.
DENÚNCIA/ O caso do filho de Andreia é um dos 23 citados em uma denúncia apresentada ao vereador Douglas Carbonne (PCdoB), líder do prefeito na Câmara.
Nesses casos, os citados teriam forjado documentos para comprovar o atendimento dos dois principais requisitos do programa: morar em Taubaté há pelo menos cinco anos e ter renda familiar igual ou inferior a dois salários mínimos por pessoa.
O dossiê foi encaminhado pelo parlamentar para a prefeitura.
O caso já chegou ao Ministério Público, que instaurou inquérito civil para investigar a denúncia. A apuração é mantida em sigilo.
AUDIÊNCIA/ Nessa quarta-feira, a partir das 19h, a Câmara irá realizar uma audiência pública para debater as denúncias. O evento será presidido por Carbonne.
Na sessão da última segunda-feira, o vereador João Vidal (PSB) citou a denúncia – inclusive o caso do filho de Andreia Gonçalves – e afirmou que “as acusações são graves”.
“O Simube está colocado em xeque. Tem 23 bolsas concedidas sob suspeita”, disse. “A gente abriu CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) por muito menos”.
Carbonne afirmou que tem optado por não dar detalhes sobre os outros casos por cautela, e disse que em alguns deles as denúncias já se mostraram improcedentes.
SUPLENTE/ Procurada nessa terça-feira, Andreia Gonçalves negou qualquer irregularidade no fato de seu filho ter sido contemplado com a bolsa de estudo. “Não tem irregularidade nenhuma”, afirmou. “Atendemos todos os requisitos do Simube”.
A suplente disse que a citação de seu nome na denúncia tem conotação “política” e que irá prestar os esclarecimentos solicitados pelo Conselho de Administração do Fundo Municipal de Bolsas de Estudos, que é responsável pelo Simube.
“A faculdade de Medicina é de R$ 6,2 mil. Ainda mais com essa crise, tem que ser uma pessoa de bastante posse para manter o filho. O que não é o meu caso”, disse.
Andreia negou ainda que o fato de ser aliada de Ortiz tenha beneficiado seu filho.
PREFEITURA/ Em nota, o governo tucano também negou que o filho de Andreia tenha sido beneficiado no processo de concessão da bolsa pelo fato de sua mãe ser aliada do prefeito.
A prefeitura informou que foi aberto um processo administrativo para apurar as denúncias e que, preliminarmente, “os contratos sob suspeita foram retidos”.
A expectativa da administração é que a investigação seja finalizada até a semana que vem.
Caso seja confirmada alguma fraude, a bolsa será cancelada e os candidatos serão alvo de processos penais e administrativos.
SISTEMA/ Esse ano, a verba do Simube para novas bolsas é de R$ 1,696 milhão para cursos de graduação e R$ 360 mil para técnico profissionalizante.
Nos cursos de graduação, esse montante foi suficiente para contemplar 183 candidatos, em modalidades que variam entre 50% e 100% da modalidade.
Para a manutenção de bolsas concedidas em anos anteriores, a verba é de R$ 3,5 milhões.