A cada três dias, uma pessoa se suicida no Vale do Paraíba. Em 1980, era uma a cada 10 dias. O aumento das mortes serve de alerta de que o suicídio tornou-se um problema de saúde pública e que deve ser tratado sem tabu.
Na RMVale, a taxa de mortalidade por suicídio aumentou 60,75% entre 1980 e 2015. Há 37 anos, a taxa era de 3,21 vítimas de suicídio por 100 mil habitantes. Em 2015, o índice saltou para 5,16 por 100 mil. O crescimento é 2,5 vezes maior do que o registrado no Estado, cuja taxa subiu de 4,49 para 5,56 por 100 mil, no mesmo período (23,83%).
No Vale, o número de óbitos por suicídio cresceu quase que o dobro da estatística estadual. As 39 mortes por suicídio em 1980 saltaram para 123 em 2015, acréscimo de 215,38%. No Estado, os óbitos pularam de 1.121 para 2.393 no mesmo período, aumento de 113,47%.
Percentualmente, o aumento dos suicídios foi maior do que o crescimento da população. Em 1980, o Vale contava com 1,2 milhão de moradores, que passaram a 2,3 milhões em 2015, alta de 96%.
"Precisamos entender os fenômenos relacionados ao aumento da taxa de suicídio para atuar de forma mais efetiva", declarou o médico Quirino Cordeiro Junior, que é coordenador da Saúde Mental do Ministério da Saúde, que lançou ofensiva nesta quinta para reduzir em 10% as 11 mil mortes por suicídio registradas anualmente no Brasil.
Ministério da Saúde quer reduzir em 10% esse número de vítimas no país até 2020
Entre as ações lançadas nesta quinta, o Ministério da Saúde irá atuar na melhoria dos registros de suicídio, na prevenção e na gestão da saúde mental. Estão previstos novos protocolos de atendimento, educação permanente e redução do risco de suicídio. As ligações para o CVV pelo 141, que hoje são pagas, deverão se tornar gratuitas..