Um garoto de 12 anos e um desempregado que investiu as últimas economias em um curso de idioma são colegas em uma escola de São José dos Campos que ensina mandarim, a língua da China. Ambos estão de olho no futuro.
A China atropelou os Estados Unidos e, desde o começo deste ano, tornou-se a principal parceira comercial do Vale do Paraíba. Já são mais de US$ 2 bilhões em compras chinesas na região neste ano.
Com isso, o trabalhador tem a expectativa de conseguir uma vaga em uma empresa chinesa que estaria na iminência de se instalar no Vale -- o nome é tratado com sigilo.
Já o adolescente mostra uma maturidade incomum para a idade e também mira um horizonte mais amplo.
"O garoto justificou dizendo que 10% da população do mundo já fala o mandarim. Como ele é fluente em inglês, pode acompanhar o nosso curso, que é dado para alunos a partir dos 16 anos" conta Rafaela Alcantara, assessora comercial da Wizard.
FLUÊNCIA.
Na unidade da Vila Adyana, a única escola da rede a oferecer o mandarim em São José, a procura pelo curso cresceu cerca de 40% nos dois últimos meses. Homens são a maioria dos interessados e o perfil dos alunos é de profissionais atrás de uma melhor colocação no mercado de trabalho.
"Todos visando o futuro. Ninguém faz porque gosta. Há muitos engenheiros, porque a área deles necessita bastante. Já há até manual de processos industriais escrito em chinês", disse Rafaela a OVALE.
Para Charles Tang, presidente da CCIBC (Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China), não dá para deixar a China de lado. "Não é mais apenas uma escolha ou um luxo. É a bola da vez", afirmou.
Do Vale, asiáticos levam petróleo bruto do Litoral Norte, 'química' e tubulações
Os chineses são os principais compradores de petróleo bruto e derivados produzidos no Litoral Norte. Eles levaram, de janeiro a agosto deste ano, 68,2% do montante exportado por Ilhabela, que lidera o ranking da RMVale. A China arrematou US$ 1,78 bilhão por meio da ilha. Com São Sebastião, o percentual foi ainda maior: 96% do petróleo bruto exportado pela cidade. Os chineses ficaram com US$ 122,1 milhões.
A China ainda é compradora de tubos metálicos, chapas de alumínio e também petróleo e derivados exportados por Pindamonhangaba, com volume de US$ 77,2 milhões neste ano. O país asiático ainda é o 3º maior comprador de Jacareí, com US$ 72,4 milhões em 2018, especialmente com produtos químicos.