A biblioteca Mário de Andrade, de São Paulo, que até o último mês de abril funcionava 24 horas, inspirou um projeto que tramita na Câmara Municipal de São José. A ideia é que a Cassiano Ricardo, que hoje funciona das 8h15 às 16h45, passe a funcionar também às madrugadas.
O projeto é de autoria da vereadora Flávia Carvalho (PRB) e, se aprovado, fará parte do programa "Cultura não tem hora". Segundo ela, o horário atual da biblioteca joseense impede que as pessoas a frequentem. "A maioria trabalha das 8h às 17h, e a biblioteca abre depois que as pessoas chegam no trabalho e fecha antes que elas tenham saído", afirmou.
Procurada, a administração da biblioteca paulistana não retornou até o fechamento desta reportagem. No entanto, segundo dados publicados no jornal "Folha de S.Paulo", faltam dados do público noturno.
Sabe-se que no segundo semestre de 2016, quando a instituição passou a funcionar nas madrugadas, o número de pessoas na seção circulante foi de 290 mil. No ano anterior, foi 143 mil. Os dados de empréstimos de livros também são contraditórios e incertos. Fato é que o fechamento da Mário de Andrade pelo governo de João Dória (PSDB) representou uma economia de R$ 850 mil aos cofres públicos da capital.
LANÇAMENTO.
Bibliotecas abertas na madrugada são comuns em universidades. Já em instituições municipais há uma preocupação com os seus custos.
"Cabe ao Executivo proporcionar meios para que a melhoria seja possível", disse Flávia. "Em uma análise simples, verificamos o quão importante é a medida. A biblioteca funcionando 24h, levará mais gente ao centro da cidade, o que ajudará na revitalização do local. Consequentemente, geraremos empregos com vagas para as pessoas no turno da noite", defende.
Ainda segundo ela, "a medida é um fomento para escritores e uma forma de incentivarmos nossa sociedade sobre a valorização à leitura", continua.
Sobre possíveis comentários sobre investimentos prioritários em demais áreas, Flávia se adianta: "é importante deixarmos claro que as verbas são carimbadas, tudo será feito com verba exclusiva da cultura".
A assessoria jurídica da Câmara de São José emitiu parecer contrário ao projeto.