Saindo de uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Sanzovo, confirmou que o governo deve retirar a tarifa de importação do arroz. A decisão oficial deve sair da reunião da Câmara de Comércio Exterior (Camex) que acontece nesta quarta-feira.
Segundo Sanzovo, até 400 mil toneladas poderão entrar no país sem o pagamento da tarifa de 12% até o fim do ano.
"O presidente orientou a ministra (da Agricultura, Tereza Cristina) para que tirasse a tarifa de importação sobre o arroz, que é o produto mais grave neste momento. Teve queda de safra, teve exportação muito alta e teve aumento de consumo interno".
Nas últimas semanas, vários produtos da cesta básica subiram de preço por conta de uma valorização do dólar, aumento das exportações e período de entressafra dos produtos. Segundo dados do IBGE divulgados nesta quarta-feira, o preço do arroz subiu 19,25% este ano.
Sanzovo afirmou que os supermercados vão continuar negociando com os fornecedores para diminuir os preços. Além disso, os mercados vão estimular o consumo de massas, para diminuir a demanda por arroz.
"Vamos estar promovendo o consumo de massa, macarrão, que é o substituto do arroz e vamos orientar o consumidor que não estoque, porque quanto mais estocar mais difícil fica a situação".
No fim de agosto, o Ministério da Agricultura já admitia a possibilidade de zerar as tarifas de importação do arroz para equilibrar o mercado doméstico e impedir o aumento de preços de produtos da cesta básica.
Pedido de explicaçõesQuestionado sobre o pedido de explicações feito pelo Ministério da Justiça sobre o aumento dos preços, Sanzovo disse que vai "mostrar a realidade" e que os preços aumentaram pela lei de oferta e procura.
"É lei de mercado, oferta e procura. Se você tem menos produtos sendo ofertados, e no caso foi exportado, muitos dos nossos produtos foram exportados, o produtor prefere exportar, porque o câmbio está alto, e isso ele tem uma valorização maior do seu produto, uma receita maior".