Depois de bater todos os recordes de casos e mortes por Covid-19 em agosto, o Vale do Paraíba entra em ritmo de estabilização em setembro, com queda no aumento de novos diagnósticos e óbitos.
Nos sete dias encerrados na quinta-feira (10), a região teve 2.645 novos casos e 68 novos óbitos em decorrência da doença, contra 3.038 diagnósticos positivos e 85 mortes na semana anterior, queda de 13% e 20%, respectivamente.
Os 2.645 novos casos da última semana, no período encerrado na quinta, representam o menor número para o mesmo intervalo desde 16 de julho, quando a região teve 1.817 infectados em uma semana.
Entre os dias 6 e 13 de agosto, a região registrou 4.158 novos casos e 110 novas mortes em sete dias. Os óbitos ainda subiram para 115 na semana seguinte, em 20 de agosto. Desde então, novos casos e mortes estão em queda no Vale.
O total de novas mortes (68) é o menor desde 16 de julho, quando a região teve 64 óbitos.
Se as reduções forem confirmadas nas próximas semanas, a região poderá entrar numa fase de desaceleração da doença, quando os casos começarem a diminuir.
"Devemos olhar os números de novos casos e mortes por dia. Se continuam iguais, diz-se que a situação é estável, mas não significa que está tudo bem, apenas que não está crescendo", lembrou Renato Vicente, professor no Departamento de Matemática Aplicada do Instituto de Matemática e Estatística da USP (Universidade de São Paulo).
"Se não tem nenhum tipo de controle, se espera que os números de novos casos e mortes por dia aumentem com o tempo, o que é acelerado. É a velocidade de crescimento. Acelerado é quando essa velocidade está aumentando e estável, quando está no mesmo patamar. E desacelerado quando reduz os novos casos."
FLEXIBILIZAÇÃO.
A estabilização dos indicadores da Covid-19 no Vale fez com que a região fosse mantida na fase amarela do Plano São Paulo, a de flexibilização, que permite o funcionamento de bares, restaurantes e similares, além de salões de beleza e academias, todos com atendimento presencial. A região havia avançado da fase laranja para a amarela em 8 de agosto.
Contudo, a reclassificação do plano passará a ser mensal, e não mais quinzenal. Ou seja, o Vale só poderá migrar para a fase verde do plano a partir de 9 de outubro.
"O monitoramento por períodos mais longos vai nos dar a segurança necessária para progredirmos nas regiões até a fase verde. Se houver piora significativa, manteremos a regra de rebaixamento imediato para a fase vermelha em qualquer região do estado", disse o governador João Doria (PSDB).
Segundo ele, não haverá recuo para a fase laranja a partir de agora, mas direto para a vermelha, o que "aumenta a responsabilidade de prefeitos e da população".
"Ainda estamos em quarentena e as regras sanitárias devem ser seguidas, mesmo em momento de lazer", disse o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn.
Vale da Fé e Vale Histórico lideram em aumento de novos casos e novas mortes
A Covid-19 tem um ritmo diferente de disseminação nas cinco sub-regiões do Vale do Paraíba.
Na semana encerrada na quinta-feira (10), a sub-região de Guaratinguetá (Vale da Fé) liderou o aumento de novos casos, com 10%, acima dos 7% da média da região. Os infectados passaram de 3.710 para 4.087 em sete dias.
Em seguida, aparecem as sub-regiões de Taubaté (8%), São José (7,4%), Cruzeiro (6,3%) e São Sebastião (5,2%).
Quanto ao aumento de mortes por Covid-19, quem lidera é a sub-região de Cruzeiro (Vale Histórico), com 19%, acima da média de 6% do Vale. Os óbitos passaram de 1.237 para 1.316 em Cruzeiro, sub-região com a maior quantidade de pequenos municípios. Depois aparecem as regiões de Taubaté (8,4%), São Sebastião (7,6%), Guaratinguetá (7%) e São José (4,6%).