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São José dos Campos está em 30º lugar no ranking das cidades inteligentes da Connected Smart Cities

Por Paula Maria Prado |
| Tempo de leitura: 12 min
Pandemia. Coronavírus influenciou subida de mortes no município
Pandemia. Coronavírus influenciou subida de mortes no município

Cada vez mais é debatida a existência de pólos urbanos que sejam referência em conectividade, inovação, colaboratividade, atenção às pessoas e ao meio ambiente, e São José dos Campos está no rumo certo para se tornar um deles. É o que revelou lista divulgada pelo Connected Smart Cities, órgão responsável por uma plataforma que, com o apoio de empresas, entidades, governos e especialistas, busca pensar melhorias para as cidades. O município aparece em 30º lugar no ranking, com 33,448 pontos.

Campinas (38,977), São Paulo (38,505) e Curitiba (38,016) estão no topo da lista. Cada município foi avaliado nos eixos mobilidade, acessibilidade, meio ambiente, urbanismo, tecnologia & inovação, saúde, segurança, educação, empreendedorismo, energia, governança e economia. O ranking é formado a partir das cidades que possuem destaques em cada um dos eixos apresentados com enfoque em desenvolvimento municipal inteligente no eixo em questão.

“O ranking Connected Smart Cities avalia desde 2015 todas as cidades com mais de 50 mil habitantes do país, sendo um total de 666  municípios em 2019 (última pesquisa publicada). Podemos considerar muito positiva a presença de São José na 30ª posição, estando em alguns recortes em posições até melhores, como em Empreendedorismo (20ª colocação) e Tecnologia e Inovação (27ª posição)”, afirmou Willian Rigon, sócio e diretor comercial e marketing da Urban Systems.

No entanto, segundo ele, até mesmo a melhor cidade do ranking tem muito a percorrer para se tornar uma cidade inteligente. “São José tem seu destaque em eixos importantes do conceito smart cities. Todos eles permitem uma diversificação econômica da cidade e um impacto social positivo em seus habitantes”, continuou. O município esteve em 25º lugar no quesito Urbanismo, com 5,287 pontos - Curitiba, no topo, teve 5,933.

Neste recorte, estão entre indicadores automóveis/ habitantes; ônibus/automóveis; outros modais de transporte (massa); % de atendimento urbano de água; % de atendimento urbano de esgoto; % da população em baixa e média densidade; despesas com urbanismo; lei de uso e ocupação do solo; lei de operação urbana; plano diretor estratégico e alvará provisório.

No quesito Meio Ambiente, diferentemente de pesquisas internacionais que avaliam partículas sólidas dispersas na atmosfera, qualidade do ar, área verde por habitante ou conforto térmico, por exemplo, o estudo priorizou em sua pesquisa indicadores de infraestrutura e acesso a serviços de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto e recuperação de resíduos sólidos. São José ficou em 70ª posição, com 5,484 pontos. No topo, Santos, com 6,444.

Em Tecnologia, o município ocupa o 25º lugar. Os indicadores concebidos para o eixo envolvem capital humano, infraestrutura de telecomunicação (fibra ótica e 4,5G), produção de conhecimento (patentes) e incentivo a pesquisa (bolsa CNPq). “É possível que nos próximos anos, este último indicador sofra impacto dos cortes atuais para pesquisa, podendo também impactar indiretamente indicadores de  empreendedorismo e economia”, informa documento. São José obteve 3,056 pontos. Campinas, em 1º lugar, este ve com 4,428 pontos.

Em Educação, o município ficou em 27º posição com 4,518 pontos. Em primeiro lugar ficou São Caetano do Sul, com 6,079 pontos. São José é a cidade com mais de 500 mil habitantes melhor posicionada: na 17º lugar. “Seus destaques estão nos indicadores da educação básica: taxa de abandono no ensino médio público de 2% e média de horas aula no 9º ano do ensino público de 5,3 horas”, informa documento.

Em Empreendedorismo, São José obteve 20ª posição, com 1,770 (Rio de Janeiro, no topo, conquistou 2,946 pontos). Os indicadores contemplam economia criativa, tecnologia, microempresa individual, espaços de inovação e de incubação de conhecimento. Por fim, em Economia, São José esteve em 33º lugar com 4,757 pontos. Campinas, novamente no topo, ficou com 5,998. O eixo engloba indicadores relativos a renda da população, crescimento econômico de diferentes setores relevantes para a cidade (no sentido inteligente), a sustentabilidade econômica do município, a origem da receita e a proporção do número de empregos disponíveis.

MELHORIAS

São José não esteve presente no ranking nos quesitos Mobilidade (automóveis/habitantes; idade média da frota de veículos ônibus/ automóveis; modais de transporte de massa; ciclovias; conexões rodoviárias entre Estados; destinos aeroviários e mortes no trânsito); Segurança e Energia.

“Se tornar uma cidade inteligente é um processo de longo prazo, mas se tornar uma cidade mais inteligente (do que antes) ocorre de ganho a ganho nas políticas públicas e ações privadas. É importante investir em todos os eixos que compõe o planejamento de uma cidade inteligente (mobilidade, urbanismo, meio ambiente, educação, saúde, segurança, tecnologia e inovação, empreendedorismo, segurança, governança e economia) e ainda compreender a conectividade que existe entre eles, para que os ganhos anuais, tenham saltos maiores do que quando realizados de forma independentes”, comentou Rigon.

Segundo o especialista, o quesito energia ainda é uma lacuna existente no desenvolvimento das cidades tanto pelas questões tecnológicas envolvidas, quanto pela questão da sustentabilidade e uso de fontes renováveis. “São José, por exemplo, não tem usina de produção de energia eólica, ultravioleta ou de biomassa, outorgada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica)”, afirmou. “Segurança é outro fator crucial no desenvolvimento de muitas cidades. E o índice de homicídios em São José é de 19 mortes por 100 mil habitantes. Alto se considerado o perfil econômico da cidade. E não é um problema apenas de policiamento, mas de acesso à renda, escolaridade e governança”, avaliou Rigon.

Quanto a mobilidade, os reflexos são de médio e longo prazo. “A cidade, quando necessita do uso intenso do automóvel particular, demonstra que não foi feita para o cidadão viver a vida, mas sim se deslocar durante o dia, devido geralmente a questões urbanísticas mal resolvidas, com a predominância de bairros monopso ou um espraiamento territorial muito amplo, por causa da especulação imobiliária. O impacto do novo Plano Diretor da cidade deve ser percebido nos próximos anos, e dessa forma permitirá avaliar se as alterações trarão benefícios econômicos, sociais e na mobilidade dos habitantes da cidade”, ponderou.

ISOLAMENTO 

Durante a pandemia se sobressaíram cidades com maior penetração tecnológica e com mais soluções de mobilidade. E, apesar de estarmos sentindo os impactos da pandemia na economia, empregos e etc, algumas questões como a própria educação, segundo Rigon, terão seus efeitos melhor compreendidos e mensurados a médio e longo prazo. “Isso porque o impacto causado pela lacuna tecnológica e da continuidade dos serviços básicos, tem de ser entendido em toda a sua complexidade e cadeia. Hoje em educação, por exemplo, é perceptível questões como a pausa nas aulas e a ineficiência de alguns modelos propostos.

A médio prazo, precisaremos medir também a defasagem do aprendizado, a qualidade de ensino, a evasão escolar e o impacto sobre o conhecimento dessa parcela da população atingida nesse momento”, afirmou o especialista. Ainda segundo ele, a pandemia impactou fundamentalmente os eixos urbanismo e mobilidade. Assim, muitas cidades terão de repensar o seu modelo de planejamento e gestão urbana para que priorizem modelos mais inteligentes, que incentivam o uso misto das quadras e bairros, evitando a polarizações no território e reduzindo os movimentos pendulares pela cidade, que causem impacto na mobilidade.

Pessoas, empresas e negócios já estão revendo suas necessidades de mobilidade, buscando novas formas de interagir com o espaço ou a economia sem a necessidade presencial (home office e delivery). “São aprendizados que todas as cidades terão que passar. E, no caso de São José, é importante utilizar suas forças, tecnologia e infraestrutura para buscar soluções urbanas e de mobilidade”, concluiu. Próximo ranking será divulgado em setembro deste ano.

ENERGIA 

Segundo a EDP, em São José está em fase de construção o novo COI (Centro de Operação Integrado), estrutura de 1.300 metros quadrados, que fará o gerenciamento centralizado da operação do Grupo EDP nas unidades da Distribuição São Paulo, Geração e Transmissão. A previsão para finalização das obras é 2021. Ainda de acordo com a empresa, atualmente, 100% das subestações de energia da EDP são telecomandadas pelo Centro de Operação.

Em São José, oito estações abastecem a cidade e o gerenciamento é realizado de forma remota. “Para minimizar possíveis impactos de interrupção do fornecimento aos clientes, a distribuidora utiliza os religadores automáticos, uma tecnologia implantada nas redes elétricas que permite a recomposição automática do sistema em caso de ocorrências, de maneira autônoma ou comandada à distância pelo COI. Já para otimizar o trabalho em campo, a companhia atua com a tecnologia Field Service Automation, uma aplicação virtual que faz o gerenciamento dos serviços dos eletricistas e técnicos, de forma roteirizada, buscando a máxima agilidade e segurança nos atendimentos”.

De olho na transição energética para cidades mais limpas, a companhia atua a partir da EDP Smart, divisão do grupo que reúne o portfólio de soluções em energia. As soluções tanto para residências como para empresas, possibilitam a redução na conta de energia através da energia solar fotovoltaica, projetos de eficiência energética e de mobilidade elétrica.

“Para promover soluções baseadas em fontes não poluentes, a EDP também começa a instalar, ainda neste ano, a primeira e maior rede de recarga ultrarrápida de veículos elétricos da América do Sul. Os 30 novos pontos de carregamento vão cobrir todo o estado e interligar São Paulo com os principais corredores elétricos do país, permitindo realizar viagens completas em veículo elétrico até Vitória (ES), Rio de Janeiro (RJ), Curitiba (PR) ou Florianópolis (SC). A cidade de São José possui atualmente um posto de carregamento já instalados pela EDP”.

SEGURANÇA 

Segundo a prefeitura de São José, estão sendo investidos R$ 39,3 milhões em ações de segurança pública. O projeto Cidade Inteligente (SCaaS – Smart City as a Service) é considerado o melhor projeto de segurança do país. Serão colocadas 1.000 câmeras com inteligência e reconhecimento facial por toda a cidade. Elas substituirão as 439 atuais. Ja o COI (Centro de Operações Integradas) se transformará no CSI (Centro de Segurança Integrada). “A novidade beneficiará também setores como mobilidade urbana, saúde, educação, Defesa Civil, Bombeiro, Polícia Civil e Polícia Militar, fazendo com que as pessoas tenham mais qualidade de vida”, informou em nota a administração.

Na vanguarda da tecnologia, o município inovou mais uma vez, uma vez que é a nossa GCM (Guarda Civil Municipal) é a primeira do ocidente a ter veículos 100% elétricos, sendo superada no mundo apenas pela China. Com isso a redução de gastos com combustível e serviços de manutenção foi da ordem de R$ 850 mil. Além disso, cerca de 400 toneladas de CO2 (dióxido de carbônico) deixaram de ser lançadas na atmosfera durante o primeiro ano de funcionamento do novo modelo. Esta ação equivale ao plantio de 2.800 árvores. “Os veículos elétricos são utilizados no patrulhamento em vias públicas e, principal mente, nos arredores de equipamentos públicos como poliesportivos, praças, escolas e outros próprios da Prefeitura”.

Outras iniciativa foi a implantação dos Portais de Segurança em todas as regiões da cidade. São 178 radares, sendo 176 fixos e 2 móveis, com tecnologia OCR (Reconhecimento Óptico de Caracteres, na tradução literal), que permite a identificação, por exemplo, de veículos furtados ou roubados por meio da leitura das placas. Os portais têm auxiliado também na solução de outros crimes, como homicídios. No projeto “Iluminar”, já foram instaladas 55 mil luminárias, benefi ciando 288 bairros. Outras 7.000 lâmpadas da iluminação ornamental (praças, áreas verdes e de lazer) também serão trocadas. O investimento é de R$ 42,7 milhões.

Ainda falando em modernização, guardas civis passaram a utilizar no final de junho microcâmeras acopladas em seus uniformes com o objetivo de aumentar a segurança dos munícipes e dos agentes durante as operações da corporação. A adoção do equipamento aumentará a qualidade das provas administrativas e judiciais produzidas nos locais das ocorrências. “A modernização dos equipamentos da corporação, que já incluíram a aquisição de drone, atende uma das premissas da atual Administração, que é a inovação”, informou nota. 

MOBILIDADE 

A prefeitura de São José informou ter efetuado investimentos no Complexo Viário do Arco da Inovação (liga a av.Jorge Zarur às av. São João e Cassiano Ricardo), única ponte do mundo em arco e curva; na Via Cambuí (maior obra viária da história da cidade); Rotatória do Gás, na região leste (deve ser liberada em 30 de julho); e obra entre as avenidas Salinas e Evangélicos, que melhorará os deslocamento de quem mora na região sul.

Está ainda em andamento a licitação para nova concessão do transporte público do município, prevista para entrar em operação no primeiro semestre de 2021, quando se encerram os atuais contratos. Diferente do contrato atual, vencido pela empresa que apresentou a maior outorga ao município, a futura concessão terá como vencedora a empresa/consórcio que apresentar a menor tarifa técnica, já defi nida no edital com um valor menor que a atual.  “O objetivo da Prefeitura é oferecer um ambiente seguro juridicamente, econômico e transparente no transporte público, tendo como uma das diretrizes a integração entre todos os modais disponíveis à população”, informou nota.

Também há a linha Verde, feita em consonância com as diretrizes do Plano Diretor, que terá sua primeira fase na Estrada do Imperador (região sul) até o Terminal Intermunicipal (região central). Na etapa posterior, o projeto cria o Anel Viário Leste, uma nova via que permitirá a interligação de toda a cidade ao Parque Tecnológico, sem a necessidade de uso da Via Dutra.

Ainda segundo a administração pública, está em andamento a implantação do Novo Estacionamento Rotativo. Entre as propostas para o novo modelo, estão a expansão do número de vagas (de 4.000 para mais de 5.000), a visualização em tempo real das vagas por meio de aplicativo e painéis eletrônicos e a forma de pagamento. De olho no uso do transporte sustentável, a cidade possui hoje 100 quilômetros de ciclovias e outras duas estão construção: a que compõe o complexo viário do Arco da Inovação e a que liga a portaria do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial) com o aeroporto.

A cidade conta ainda com carros elétricos compartilhados (primeira cidade do país a disponibilizar o serviço com sistema dockless), equipamentos de fiscalização, programas como “Sinal de Gentileza”, com foco no respeito às regras de trânsito; e “Asfalto Novo”, com R$ 10 milhões em investimentos na primeira etapa com obras que contemplarão 12 vias do município. 

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