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DEPRESSÃO E SUICÍDIO SÃO NOVOS RISCOS DA COVID-19

Por Marcos Eduardo Carvalho@marcosovale78 |
| Tempo de leitura: 4 min
Depressão
Depressão

A depressão e suicídio são graves problemas interligados e cada vez mais comuns nos tempos modernos. E, neste ano, com a pandemia do novo coronavírus, o risco se torna ainda maior. Para especialistas, diversos fatores podem levar uma pessoa a ter depressão e, em casos mais extremos, tirar a própria vida.

A psicóloga Simone Januário, de São José dos Campos, ressalta que a depressão é uma doença antiga e que há descrições de quadros depressivos desde o antigo Egito.

"Existem vários fatores que podem contribuir para quadros depressivos. Hábitos de vida saudáveis, boa alimentação, boas relações familiares e amizades (sim, elas são de alguma forma possíveis mesmo em tempo de isolamento), pratica de atividades físicas, meditação ou oração, podem ajudar na prevenção", disse, lembrando ainda que é importante a pessoa se atentar ao próprio humor no dia a dia, para ter um parâmetro.

"No entanto, é preciso ter em mente que a depressão é uma doença, não depende unicamente da vontade ou do controle das pessoas", ressalta a especialista em entrevista à reportagem de OVALE.

Além de tudo, a depressão não é só tristeza. Algumas vezes se manifesta também por irritação, intolerância a frustrações que em outros momentos seriam vividas com alguma tranquilidade. "Outros fatores importantes que podem ser observados são alterações de sono, apetite, perda de interesse por atividades prazerosas. É sempre bom lembrar, sofrimento e limitação são indicadores importantes de se observar", disse Simone.

E, de acordo com a especialista, é importante ressaltar que as pessoas nem sempre dão sinal de que querem tirar a própria, pois trata-se muitas vezes de uma ação silenciosa. "Para a gente evitar que as pessoas se sintam mais responsáveis por casos de suicídios que possam acontecer perto delas. Pois sempre é um drama muito grande e as pessoas ficam buscando culpados e causas que as às vezes aquela pessoas que morreu nunca contou para ninguém. Ninguém sabe", disse.

"A pessoa pode estar tentando escapar de um sofrimento muito grande, que para ela se tornou insuportável", disse. Simone.

Segundo ela, características que podem ajudar a perceber é quando a pessoa começa a imaginar ou falar do mundo sem ela, como seria se ela não estivesse aqui. Ou que não aguenta mais uma situação. "As tentativas propriamente ditas também são importantes de observar. Mas lembrando que nem sempre o suicídio manda recado", alerta a psicóloga de São José.

TRISTEZA E DEPRESSÃO.

A também psicóloga Denise Camargo, de São José, ressalta que existe uma diferença entre a tristeza do dia a dia e a depressão. "A tristeza tem motivo. A pessoa sabe que está triste. Já a depressão é uma tristeza profunda e muitas vezes sem motivo aparente", disse Denise. "A tristeza é provocada por acontecimentos difíceis e desagradáveis, e que fazem parte da vida de todas as pessoas, como lidar com o luto, a perda de emprego, os desentendimentos familiares, as dificuldades econômicas etc", enumera.

"Já a depressão é uma doença psiquiátrica crônica que pode acometer uma pessoa em algum momento da vida. Nos quadros de depressão, a tristeza não dá tréguas. O humor permanece deprimido praticamente o tempo todo, por dias seguidos. A pessoa perde o interesse pelas atividades que antes lhe davam prazer e a pessoa não tem ideia do que pode mudar esta situação", lembra.

Segundo ela, na depressão a pessoa pode apresentar diversos sintomas, como alteração de peso não intencional; insônia ou sonolência aguda; agitação ou apatia, fadiga ou perda de energia; sentimento de culpa; dificuldade de concentração; ideias suicidas e baixa autoestima.

"Não necessariamente a pessoa apresenta todos sintomas", disse a psicóloga.

A especialista ainda ressalta que o diagnóstico da depressão é clínico. "Apresentando alguns dos sintomas citados é bom procurar um médico psiquiatra, pois na maioria dos casos é necessário medicação. Acompanhamento psicológico também é muito importante", afirma.

"O apoio da família é essencial. Compreender que a pessoa não consegue controlar o que está acontecendo e amparar a pessoa durante o tratamento e demonstrar compreensão. Para identificar se a pessoa tem potencial para suicídio, peça ajuda dos profissionais que são capacitados para verificar isso. E acompanhe no dia a dia as ações e expressões da pessoa, pois muitos apresentam sinais de suas intenções", completa a especialista.

No dia 10 de setembro, é comemorada a data mundial da prevenção ao suicídio, onde é sugerido que diversas atividades de conscientização sejam realizadas..

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