A Bolsa de São Paulo fechou em queda nesta sexta, acompanhando a desvalorização dos índices de Nova York. O Ibovespa (referência da Bolsa) recuou 1,81%, aos 98.290 pontos. No câmbio, o dólar comercial subiu 2,83%, a R$ 5,378, maior patamar desde 1º de setembro. Na semana, a moeda americana acumulou ganhos de 0,86%, enquanto a Bolsa teve leve perda de 0,07%.
Em Wall Street, Dow Jones e S&P recuaram, respectivamente, 0,88% e 1,13%. A Bolsa eletrônica Nasdaq registrou perdas de 1,07%.
No exterior, diante de um dia sem a divulgação de grandes indicadores ou mudanças em cenários econômicos, os investidores estão atentos ao aumento de casos da Covid-19, especialmente na Europa. A França registrou mais de 10 mil casos na quinta, um novo recorde diário de infecções.
A Bolsa de Paris (CAC) recuou 1,22%, enquanto Londres (FTSE) perdeu 0,71%.
"O aumento de casos de Covid-19 na Europa causa frustração em relação à retomada da economia. Diversos setores de varejo e serviços precisam de aglomeração para funcionar, mas se a doença volta a aparecer com mais vigor, a volta da atividade econômica fica mais lenta e prejudicada", destaca Mauricio Pedrosa, gestor da Áfira Investimentos.
Frente a um possível caso de segunda onda, iniciam as perspectivas sobre qual será a ação que Bancos Centrais e governos podem adotar para amparar a economia, caso seja necessário.
"Por enquanto os investidores analisam e olham uma segunda onda pode virar uma realidade, mas nesse primeiro momento não é uma realidade ainda. O foco está na recuperação econômica, no controle inflacionário nas grandes economias, nos estímulos dos Bancos Centrais e governos", diz Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos.
Além disso, os investidores também avaliam a "guerra tecnológica" entre China e Estados Unidos. Nesta sexta, o presidente americano Donald Trump decretou o bloqueio em seu país dos aplicativos chineses TikTok e WeChat.
"Há mais de dois anos que americanos e chineses têm conflitos. Agora, na questão tecnológica, o receio do mercado é se a China vai retaliar os Estados Unidos e qual será a dimensão desse movimento. Isso gera receio nos investidores", destaca Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora.
Os especialistas destacam que a alta do dólar tem tanto a ver com o patamar de juros baixos no país e pela difícil situação de endividamento público.
"Não há perspectiva, ao menos no curto prazo, para resolver a situação fiscal brasileira. Além disso, os juros baixos na comparação com outros emergentes contribuem para que recursos saiam do país", complementa Velloni.
A situação fiscal também pesou sobre os juros. Diante dos receios dos investidores sobre a capacidade de o governo pagar a conta da dívida interna, os juros de 2022 subiram de 2,82% para 2,97%. Já as taxas de 2027 passaram de 7,01% para 7,29%.
As eleições americanas também pesam no mercado. O pleito, marcado para novembro, pode gerar volatilidade tanto antes quanto após as eleições, na leitura dos especialistas.
"O processo eleitoral pode continuar até janeiro. Mesmo que Donald Trump ganhe, mas não ganhe no voto popular, teremos muitos protestos ao redor do país. Estamos antecipando volatilidade política, que pode respingar na economia", afirmou Daniel Clifton, sócio e chefe de análise política da Strategas em evento promovido pela Turim MFO.
Destaques da BolsaEm um dia com viés mais negativo, as ações de maior peso no Ibovespa fecharam com desvalorização. O setor bancário, de maior relevância, registrou perdas.
As ações ordinárias (ON, com direito a voto) do Banco do Brasil caíram 2,52%. Os papéis preferenciais (PN, sem direito a voto) de Bradesco e Itaú Unibanco perderam, respectivamente, 2,38% e 2,49%.
Na outra ponta, o Magazine Luiza conseguiu fechar com leve ganho de 0,07%. A gigante do varejo aprovou o desdobramento da totalidade de suas ações na proporção de um para quatro, sem modificar o capital social. Em fato relevante divulgado nesta sexta, a empresa explica que o objetivo é melhorar o patamar de cotação dos papéis e torná-los mais acessíveis aos investidores.