Em agenda neste sábado em Caldas Novas, cidade goiana a cerca de 300 km de Brasília, o presidente Jair Bolsonaro participou de inauguração de uma usina de energia solar construída pelo grupo empresarial da deputada federal Magda Mofatto (PL-GO). Segundo a deputada, a obra contou com incentivos fiscais federais e estaduais.
Bolsonaro não usou máscara, contrariando as normas sanitárias relacionadas à Covid-19, ao chegar no aeroporto e também no local do evento, na entrada da cidade, provocando aglomerações. Apoiadores se espremiam para tentar cumprimentar o presidente.
Faixas com críticas ao presidente colocadas na saída do aeroporto também fizeram parte da recepção a Bolsonaro. Uma delas perguntando sobre depósitos feitos pelo ex-assessor Fabrício Queiroz na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro.
O presidente chegou a Caldas Novas com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM). Caiado havia rompido politicamente com Bolsonaro no início da epidemia do novo coronavírus no Brasil, mas, recentemente, os dois voltaram a conversar. Em seu discurso, Caiado fez elogios ao presidente.
— Com muita dificuldade, conseguiu fazer algo inédito. Conseguiu governar o país com apoio da população brasileira. Vossa Excelência mantém suas características no seu dia a dia. Um homem simples, corajoso e que segue os princípios que sempre o moveram até o momento — afirmou o governador.
Caiado, aliás, foi alvo de vaias durante o evento. Em dado momento, foi preciso que a deputada federal Magda Mofatto pedisse "respeito" ao governador.
Além de Bolsonaro, foram a Caldas Novas os ministros de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e o chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno.
Caso QueirozDuas faixas foram colocadas na saída do aeroporto da cidade com críticas ao presidente. Uma delas perguntava sobre depósitos feitos pelo ex-assessor e ex-PM Fabrício Queiroz, amigo da família Bolsonaro, e sua esposa, Márcia Aguiar, na conta bancária de Michelle Bolsonaro. Segundo relatório do Coaf, o casal enviou R$ 89 mil em cheques para a primeira-dama.
O nome da primeira-dama apareceu pela primeira envolvido nas transações financeiras feitas por Fabrício Queiroz em dezembro de 2018, quando foram revelados depósitos de R$ 24 mil feitos por Queiroz na conta da primeira-dama. Na época, Bolsonaro justificou os valores dizendo que se tratava do pagamento de um empréstimo de R$ 40 mil que ele havia feito a Queiroz.
Desde que foram revelados os depósitos de R$ 89 mil, Bolsonaro tem sido questionado sobre o assunto, mas vem se negando a responder.
Na semana passada, ao ser indagado por um repórter do GLOBO, ele reagiu dizendo que gostaria de bater no profissional.
— Vontade de encher sua boca de porrada — disse o presidente.
A negativa agressiva provocou uma onda de repetição da mesma pergunta nas redes sociais dirigidas ao presidente. A faixa colocada neste sábado no aeroporto de Caldas Novas trouxe o questionamento: "Bolsonaro, o Brasil quer saber: por que o Queiroz depositou 89 mil na conta da sua mulher". Outra faixa agradecia, em tom de ironia, o presidente pela "alta do dólar, alta dos combustíveis e o arroz custando 30 contos"
Nesta semana, ao ser questionado novamente sobre as movimentações suspeitas detectadas pelo Coaf, Bolsonaro chamou outro repórter do GLOBO de "otário".