O Museu Britânico retirou a escultura de um de seus fundadores de um pedestal onde era exibida, por causa de suas ligações com a escravidão. O busto de Hans Sloane ainda está disponível para o público, mas, agora, em uma vitrine ao lado de objetos e descrições que contextualizam suas atividades coloniais.
De acordo com o site do museu, o irlandês Sloane era um médico que colecionava objetos de todo o mundo. Seus pacientes incluíam três monarcas: Rainha Anne e Reis Jorge 1º e 2º.
A carreira de colecionador de Sloane começou em 1687, quando ele navegou para a Jamaica, então uma colônia inglesa. Lá, trabalhou como médico nas plantações de escravos e prestou serviços ao novo governador da colônia. Ele também coletou espécimes de plantas e animais.
Mais tarde, o irlandês se casou com uma herdeira de plantações de açúcar na Jamaica que utilizava mão de obra escrava. "Os lucros obtidos contribuíram substancialmente para sua capacidade de arrecadação nos anos seguintes", afirma o site do museu.
O diretor do museu, Hartwig Fischer, afirma que a nova posição do busto reconhece que a coleção de fundadora do espaço foi parcialmente financiada pelo trabalho dos escravos e pela economia escravista.
"A dedicação à veracidade é crucial quando enfrentamos nossa própria história. Sloane nos permite destacar a complexidade e ambiguidade desse período: ele foi médico, colecionador, estudioso, benfeitor e dono de escravos. Continuaremos a explorar nossa história e faremos isso em colaboração com pessoas de todo o mundo para reescrever nossa história compartilhada, complicada e, às vezes, muito dolorosa como iguais", disse Fischer em um comunicado à CNN, acrescentando que a nova localização permite ao museu reconhecer a relação de Sloane com o Império Britânico e o comércio de escravos.
Localizado em Londres, o Museu Britânico abriga artefatos históricos como os mármores de Elgin e a Pedra de Roseta. Ele foi fundado em 1753 e inaugurado em 1759.
Nos últimos meses, instituições e comunidades em todo o mundo têm reconsiderado o legado de figuras históricas em resposta aos protestos globais Black Lives Matter. Muitas cidades removeram estátuas e monumentos homenageando figuras históricas controversas, incluindo Cristóvão Colombo, o ex-rei Leopoldo II da Bélgica e o comerciante de escravos britânico Edward Colston. Recentemente, ativistas também retomaram os protestos para retirar a estátua de Cecil Rhodes do exterior da Universidade de Oxford.