Poucos são os que discordam de que Sean Connery foi o maior James Bond de todos os tempos. Ele foi o primeiro a encarnar o agente 007 nas telas, em "O satânico Dr. No" (1961). E voltaria ao papel em outros seis longas de sucesso.
Mas o ator escocês tem muitos outros créditos de nobre grandeza em quase sete décadas de carreira, como sua performance em "O homem que queria ser rei" (1975), ao lado de Michael Caine e dirigido por John Huston. Ou então seu Jim Malone, no clássico "Os intocáveis" (1987), de Brian De Palma. Há quem guarde no coração, por exemplo, seu Dr. Henry Jones de "Indiana Jones e a Última Cruzada" (1989), sob a batuta de Steven Spielberg.
Nesta terça-feira, dia 25 de agosto, quando completa 90 anos, a maior aventura que Connery provavelmente será a retirada das folhas da piscina ou jogando uma partida de golfe na sua mansão nas Bahamas, onde vive há quase duas décadas um refúgio idílico ao lado da mulher, a artista plástica Micheline Roquebrune, um ano mais velha que o ator. Os dois estão juntos há 45 anos.
Sem estrelar um longa desde 2003, quando embarcou numa furada de nome "A liga extraordinária", Connery apenas emprestou sua voz à modesta animação britânica "Sir Billi", em 2012. Nada mais. E parece que o retorno de Sir Thomas Sean Connery a um set de filmagens, a cada dia que passa, vai se consolidando como uma lenda.
Em 2006, enquanto recebia um prêmio pelo conjunto da obra concedido pelo American Film Institute (AFI), o ator já havia anunciado: "Eu me aposentei para sempre". Ele havia passado recentemente por um cirurgia de retirada de um tumor nos rins, mas dizia estar "perfeitamente bem". Mas então qual seria o motivo real para a aposentadoria
Por mais que nunca tenha sido oficialmente confirmado por Connery, muito apontam que sua experiência nas filmagens de "A liga extraordinária" foi crucial para sua decisão.
O ator teve uma convivência, digamos, turbulenta com o diretor Stephen Norrington ("Blade") durante todo o processo. Chegou a dizer que o cineasta deveria ser "preso por insanidade". Também reza a lenda que o ator teria tentado "salvar" o longa dando pitacos até na montagem das cenas. E, para completar o pacote, a adaptação da HQ clássica de Alan Moore ainda se tornou um fracasso de bilheteria.
Connery teria ficado balançado em 2008, quando foi lançado "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal", marcando a volta da parceria entre Harrison Ford e Steven Spielberg. "Se algo pudesse ter me tirado da aposentadoria, seria um filme de Indiana Jones. Mas no fim das contas, a aposentadoria é muito divertida", postou o ator em seu site, na época.
Na verdade, sabe-se que o ator escocês havia achado muito pequena a relevância de seu Henry Jones, pai do herói Indiana. Connery teria, inclusive, sugerido a Spielberg que matasse seu personagem, pois seria um final mais digno para ele.
Antes disso tudo, ele já havia negado a Peter Jackson o convite para dar vida ao mago Gandalf na saga "O senhor dos anéis" (2001). Connery receberia US$ 10 milhões por cada filme e ainda embolsaria 15% da receita total da franquia. Mas já naquele momento preferiu trocar as filmagens na Nova Zelândia pela sua mansão no Caribe, dando sinais precoces de sua aposentadoria iminente..
Em 2011, o grande amigo Michael Caine chegou a comentar, em entrevista ao jornal britânico "Telegraph", sobre a aposentadoria de Connery. Na visão dele, o eterno 007 estaria desencantado com os papéis oferecidos, nunca protagonistas e sempre de "homens velhos".
Exilado fiscalDesde então, as aparições ou até mesmo menções sobre o ator agora noventão são raras. Nas Bahamas, ele vem conseguindo se manter exilado e longe de algumas preocupações, inclusive de fundo monetário.
Em 2010, Connery e a mulher foram investigados por suposta fraude fiscal de 1,6 bilhão de euros no âmbito de operações imobiliárias no sul da Espanha. O ator já havia sido pivô de uma investigação anterior realizada por um juiz da cidade andaluz de Marbella sobre lavagem de dinheiro e prevaricação, relacionada com a venda de uma luxuosa residência, em 1999.
Os imbróglios com a Justiça acabaram dando a Connery o status de exilado fiscal, fazendo com que o astro fincasse definitivamente o pé em sua mansão nas Bahamas. A ponto, inclusive, de estar ausente durante o referendo sobre a independência de sua amada Escócia, em 2014. Na ocasião, Neil Connery, irmão do ator, afirmou que ele não poderia dar apoio ao movimento separatista, pois o status de exilado fiscal só permitiria que Sean Connery ficasse por pouquíssimos dias em solo escocês.
Três anos depois, o ator foi visto pela última vez fora de seus domínio caribenhos, caminhando com auxílio de uma bengala pelas ruas de Nova York.
Em setembro de 2019, última vez em que o nome de Connery ganhou chamadas em sites pelo mundo, a motivação para tal surgimento se deu por motivações meteorológicas. Ele e a mulher enfrentaram a passagem do furacão Dorian pelo Caribe. Sem deixar a mansão, o casal passou por momentos de tensão.
Ao "Daily Mail", Connery disse: "Minha esposa e eu estamos bem. Tivemos sorte em comparação com muitos outros moradores e os danos foram pequenos. Nos preparamos para a tempestade e sabíamos o que tínhamos que fazer".
Uma declaração digna de quem passou a vida inteira encarando missões em seus filmes, mas que hoje é apenas protagonista de sua vida real.