O programa Atividade Delegada, que foi a principal aposta para combater a criminalidade em Taubaté no início do governo Ortiz Junior (PSDB), em 2013, sofreu um esvaziamento gradativo nos últimos anos.
O levantamento foi feito pela reportagem com base em dados obtidos pelo jornal por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação).
De janeiro a agosto de 2017, por exemplo, em média 104 policiais militares atuaram por dia no programa. Em junho desse ano, foram em média 125 PMs por dia.
A média começou a cair no segundo semestre de 2018. Em julho, por exemplo, o programa teve adesão média diária de 84 policiais. Em agosto, de 86.
Nos primeiros oito meses de 2019, em cinco deles a média diária de PMs no programa ficou na casa de 70: foi de 74 em fevereiro, 73 em maio, junho e julho, e 71 em agosto. Em março, ficou ainda mais baixo, em 65.
De janeiro a agosto de 2020, em nenhum mês a média diária de PMs no programa passou de 70. A média foi de 57 em janeiro, 68 em fevereiro, 61 em março, 68 em abril, 63 em maio, 65 em junho, 63 em julho e 62 em agosto.
PROGRAMA.
Promessa de campanha de Ortiz na eleição de 2012, a Atividade Delegada foi implantada na cidade em julho de 2013, com 50 vagas. No mês seguinte, passou a 100 vagas. E, em novembro daquele ano, para 150.
Mas o programa começou a sofrer cortes no segundo semestre de 2015. Na época, com as finanças impactadas pela crise financeira nacional, a Prefeitura reduziu a oferta de vagas pela metade. Também houve redução na jornada diária, que era de 8h e passou para 6h.
Apesar dos cortes, que eram relatados pelos policiais e também sentidos pelos moradores, o governo Ortiz mantinha o discurso de que o programa operava em sua totalidade, com as 150 vagas preenchidas.
Na eleição de 2016, o tucano prometeu a manutenção do programa. Mas os números mostraram que a Atividade Delegada foi reduzida ano a ano.
Governo Ortiz diz que queda na adesão voluntária explica números do programa
Questionado pela reportagem, o governo Ortiz creditou o esvaziamento do programa à falta de interesse dos policiais militares. “A adesão voluntária por parte dos policiais diminuiu. Como outros municípios também instituíram a Atividade Delegada, muitos agentes optam por permanecer em suas cidades”, alegou a gestão tucana.
Desde 2018, no entanto, integrantes do governo afirmavam que, com o início do uso de armas de fogo pela GCM (Guarda Civil Municipal), o programa da Atividade Delegada receberia menos investimentos.