Em meio à polêmica que marcou o debate realizado na última quarta-feira pela TV Câmara de Taubaté, do qual o candidato José Saud (MDB) se recusou a participar, a coligação da vereadora Loreny (Cidadania) chegou a solicitar o afastamento do vereador Dentinho (PSL) da presidência do Conselho Público de Comunicação da TV Câmara.
O pedido de afastamento foi protocolado pelo também vereador João Vidal (PSB), que é representante legal da coligação que apoia a candidata do Cidadania.
No pedido, Vidal apontou "suspeição" de Dentinho, já que o vereador do PSL é "apoiador declarado" de Saud. Para Vidal, o afastamento seria necessário para "resgatar os valores de imparcialidade e transparência".
Segundo apuração da reportagem, embora o debate já tenha sido realizado, o pedido de afastamento de Dentinho será analisado na próxima reunião do conselho, que é formado por seis representantes – além de Dentinho, fazem parte três representantes da sociedade civil e dois servidores efetivos da Câmara.
SUSPEITA.
Segundo apuração da reportagem, o conselho realizou na segunda-feira (23) uma reunião extraordinária, a pedido de Dentinho. Nessa reunião, o vereador do PSL teria dito, sem apresentar qualquer prova, que perguntas do debate realizado no dia 19 pela TV Band Vale teriam sido vazadas para a equipe de Loreny. Dentinho também teria insistido para discutir, na reunião, as perguntas que poderiam ser feitas no debate.
Na terça-feira (24), um dia após a reunião convocada por Dentinho, a Ouvidoria da TV Câmara recebeu uma denúncia anônima de que perguntas do debate que seria realizada na quarta-feira pelo Legislativo teriam vazado. Essa denúncia anônima foi protocolada no site da Câmara.
Após o recebimento da denúncia, o ouvidor da TV Câmara, Mário Jefferson Leite Mello, solicitou uma reunião com Dentinho e representantes da Presidência do Legislativo, da direção-geral e da emissora de TV oficial. Nessa reunião, ao tomar conhecimento de que as perguntas do debate sequer haviam sido feitas, o ouvidor arquivou a denúncia. “Ficou comprovado que não houve vazamento. Como vai vazar algo que sequer foi feito ainda?”, disse Jefferson Mello à reportagem.
Depois dos esclarecimentos, ficou decidido que, para evitar qualquer problema, as perguntas seriam elaboradas às 19h30 do dia 25 (1h30 antes do início do debate), com participação também de um representante de cada coligação.
“Tomamos todas as providências para que não houvesse qualquer dúvida sobre a lisura do debate”, afirmou o ouvidor.
DESISTÊNCIA.
Na manhã de quarta-feira (26), as coligações foram informadas sobre o que ficou decidido na reunião do dia anterior.
No entanto, mesmo após a denúncia já ter sido arquivada, às 15h20 a coligação de Saud protocolou um ofício para comunicar que, devido à “suspeita de vazamento”, o candidato do MDB não participaria do debate. Em nota pública, Saud alegou que tomou a decisão porque “a imparcialidade pode ter sido quebrada”.
A coligação de Saud chegou a solicitar ainda à TV Câmara que, devido à ausência do candidato do MDB, nenhuma entrevista fosse realizada com Loreny no horário para o qual estava previsto o debate.
Questionada sobre o tema, a Procuradoria Jurídica da Câmara emitiu parecer em que apontou que a legislação eleitoral prevê que, caso um candidato não compareça a um debate, pode-se fazer uma entrevista com o outro concorrente – o que, de fato, foi feito com Loreny.
REAÇÕES.
À reportagem, Vidal criticou a postura de Dentinho no caso e disse também que considera “muito suspeita essa história de ‘denúncia anônima’ de vazamento de perguntas do debate”. “Esperamos que tudo se apure e a justiça seja feita, especialmente pelos servidores que tiveram seu caráter colocado em dúvida”, completou o vereador do PSB.
Também à reportagem, Dentinho rebateu as críticas de Vidal. “João Vidal está em devaneios a respeito de imparcialidade, que vergonha tal atitude. Ele prega a democracia e se perde em suas atitudes democráticas. Fui eleito presidente do conselho muito antes da eleição para cuidar da TV Câmara, não para fazer campanha para prefeito”, afirmou.
Dentinho confirmou ter solicitado uma reunião do conselho na segunda-feira, mas alegou que o encontro visava debater “duas resoluções importantes” sobre a abertura do sinal da TV Câmara, e que ele apenas aproveitou e colocou “como pauta uma dinâmica diferente de perguntas [para o debate]”. O vereador do PSL negou que tenha citado nessa reunião um suposto vazamento de perguntas no debate promovido na semana anterior pela Band.