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Em plena pandemia, negacionismo torna-se aliado do coronavírus

Por Marcos Eduardo CarvalhoSão José dos Campos |
| Tempo de leitura: 2 min
Avestruz
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Uma pandemia altamente contagiosa e letal. Só no Brasil, já foram 92 mil mortes, com uma média de mais de 1.000 por dia. A vacina está em teste, ainda não está pronta.

Para os especialistas na área da saúde, há duas maneiras de minimizar o risco de contaminação: fazendo o distanciamento social e utilizando as máscaras para cobrir boca e nariz.

Desde maio, inclusive, o item já era de uso obrigatório em vários estados e cidades. Agora, é obrigatório no país todo.

Porém, não é isso que vem acontecendo. Há aglomeração nas ruas e muita gente (muita mesmo) sem usar máscaras ou com o acessório pendurado no queixo (o que, afirmam os especialistas, também é um risco de contaminação).

Afinal, quem são essas pessoas? Por que elas não respeitam as determinações? Para muitos, o coronavírus não é tão perigoso assim. E, desta maneira, se arriscam e arriscam a vida de outras pessoas. São os chamados negacionistas.

Apesar da utilização obrigatória das máscaras, a fiscalização parecer ser insuficiente.

Para o professor de sociologia da Unitau (Universidade de Taubaté), Silvio Costa, é difícil explicar a resistência das pessoas diante de um vírus tão mortal capaz de atingir a todos sobretudo os mais frágeis e pessoas que mais amamos.

"A resposta não é simples. Um dos fenômenos dessa contemporaneidade, apontado por diferentes sociólogos, é o fato de que ganhamos em liberdade individual, ao mesmo tempo que criamos resistência para lidar com as limitações advindas das necessidades públicas", disse.

"Uma das decorrências deste empoderamento do 'eu' é uma insensibilidade para as condições do outro e de suas fragilidades. Há uma dificuldade em perceber que uma das consequências das minhas ações pode ser a morte de uma pessoa querida", ressalta.

Segundo o professor, um segundo fator que explica esse negacionismo é a ideia presente no nosso contexto cultural de naturalizar aquilo que é histórico. "Ou seja, todos iremos morrer, isto é da natureza, porém, o modo e as condições de sua ocorrência está relacionada a condições históricas", explica o professor.

VARIÁVEIS.

Para Mariana Cristina Fernandes, psicóloga comportamental, existem diversos fatores que influenciam no desrespeito regras. "O primeiro é que um comportamento novo existe tempo e bastante prática para ele ser instalado, virar um hábito. É importante que a gente treine um comportamento, para que ele fique mais natural", disse.

A psicóloga considera também que as decisões governamentais influenciam diretamente nas decisões das pessoas e que muitas delas têm a cultura de desconfiar dos números oficiais. "E tem muitas pessoas que têm dificuldades em cumprir as regras", diz Mariana..

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