O Brasil tem juros baixos, câmbio alto, valorização da Bolsa e, ainda assim, o país praticamente não investe. Para Arminio Fraga, sócio e CEO da Gávea Investimentos e ex-presidente do Banco Central, pode haver um "algo a mais" dificultando, paralisando o processo.
E ele seria justamente uma combinação de temas como os problemas no meio ambiente, na educação, a desigualdade e a qualidade da democracia brasileira.
Segundo ele, que participou na terça-feira do Fórum Valor Reconstrução Sustentável, a degradação da Amazônia também tem relação com isso e é questão que precisa ser enfrentada.
O economista reforçou a necessidade de uma "gestão de risco" na Amazônia. Segundo Arminio, a proteção climática e da Amazônia não só é essencial para a sobrevivência do Brasil, mas pode trazer ao país outra inserção no mundo "muito mais interessante do ponto de vista econômico também".
Além disso, existe um desafio de desenvolvimento humano de primeira ordem na região da Amazônia.
"São 27 milhões, 28 milhões de pessoas que precisam melhorar de vida, que têm um nível de renda baixo, uma imensa desigualdade", afirmou Arminio.
Segundo ele, as questões ambientais e sociais são objetivos paralelos e representam o desafio de uma geração. Ele reforça que uma eventual savanização da Amazônia seria dramática para o setor que tem tido mais sucesso no país, o agronegócio.
"O sucesso do agronegócio brasileiro é tal que não há dúvidas de que ele consegue dobrar e até triplicar sua produção sem ter de derrubar uma árvore sequer".
Apesar dos desafios, ele avalia que está em andamento uma mudança de mentalidade no país, tanto do empresariado quanto da nova geração.
"O empresariado vem brilhando, veio de um modelo meio extrativista, que vivia de "mamar" no Estado, para um modelo que pensa grande. Vejo os jovens entendendo esses valores".
(*Do Valor)