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Na rota do Oscar: filme de diretor taubateano concorre à indicação

Por Marcos Eduardo Carvalho |
| Tempo de leitura: 3 min
Cinema. O diretor Jeferson De, que é de Taubaté; na espera pela indicação ao Oscarr
Cinema. O diretor Jeferson De, que é de Taubaté; na espera pela indicação ao Oscarr

E o Oscar vai para...A tão esperada frase poderá gerar uma expectativa ainda maior no dia 25 de abril de 2021 para um filme brasileiro. E, ainda por cima, produzido por um cineasta da região. O longa 'M8 - Quando a morte socorre a vida', do diretor taubateano Jeferson De, 52 anos, é um dos temas brasileiros que concorrem à indicação do país para o Oscar de melhor filme estrangeiro. A definição deverá ser feito durante dezembro.

O filme estreia no dia 3 de dezembro nos cinemas e mostra a história de um negro, estudante de medicina, que luta incansavelmente contra o racismo estrutural existente na nossa sociedade. Durante a trama, ele ainda percebe a semelhança com os cadáveres utilizados nas aulas de anatomia.

Um drama sobrenatural, que foi adaptado do romance de Salomão Polakiewicz, tem o personagem Maurício, interpretado pelo ator Juan Paiva, como nome central da trama. Quando precisa dissecar o corpo de um homem negro, chamado de “M-8”, ele acaba se envolvendo com a história do falecido e passa a investigar sua própria identidade. Além disso, a trama questiona ainda a solidão e os relacionamentos entre as pessoas nas grandes cidades.

Outros nomes de peso e consagrados no cinema, teatro e televisão estão no filme, como Zezé Motta e Lázaro Ramos. Mariana Nunes, Léa Garcia, Aílton Graça, Raphael Logam, Rocco Pitanga, Higor Campagnaro e Giulia Gayoso também integram o timaço de atores do longa-metragem.

O trabalho de Jeferson De já tem um prêmio com voto popular: no último Festival do Rio. O diretor de Taubaté já tem, além de M-8, outros dois filmes prontos, que já foram exibidos em mostras e que também em breve poderão entrar em cartaz nos cinemas: A Revolta dos Malês (2019) e Correndo Atrás (2017).

INTERESSE.

“Quando li o livro fiquei interessado em contar essa história sobre os mortos, o quanto as mortes têm muito para dizer para nós”, disse o cineasta a OVALE, após ler o romance de Salomão Polakiewicz.

Jeferson De explica que esse cadáver identificado na aula de anatomia como M-8 tem muita história. “E essa história tem muito que dizer a nós, jovens negros, população brasileira. Esses cadáveres tem uma história e temos que de, alguma forma, nos conectar ao nosso passado para pensar o futuro. E a gente aprende com o passado. Como esse jovem, viveu? E quais as lições que podemos tirar disso”, indaga o diretor de cinema taubateano.

Para o diretor, é possível tentar ao menos fazer as pessoas refletirem sobre os problemas sociais através da arte “Qualquer filme, quadro, música, poesia, tem essa capacidade, não de mudar as pessoas, mas de fazer refletir. E o cinema tem esse poder, através da imagem, do ruído, de mobilizar muito as sensações da gente. A música tem esse poder imenso para sensibilizar as pessoas. Abrir as janelas, enxergar outra realidade. Pode sim ajudar no pensamento das pessoas, ao menos, estabelecer uma relação”, aposta.

RAIZ.

Torcedor fanático do Taubaté, Jeferson De faz questão de ressaltar o seu amor pelo Burro da Central e para a cidade onde nasceu. “Sou torcedor apaixonado do Burrão, vou ao Joaquinzão, tenho muito orgulho das minhas raízes e foi lá (em Taubaté) que tudo começou”, disse o cineasta, esperançoso em um resultado positivo na escolha para o Oscar.

“Estamos na torcida, por enquanto, para que a gente possa, quem sabe, ser indicado ao Oscar. Um caipira, de Taubaté, que tem o seu filme escolhido. Quem sabe? Na torcida”, afirmou.

Segundo ele, o interesse por cinema surgiu ainda na infância, em Taubaté, nos tempos de Cine Metrópole e Cine Palace. “Ali foi minha formação”, conta, lembrando também que seu pai exibia filmes para a comunidade do bairro onde morava. “Foi ali, no banco de trás do carro do pai, vendo aquela máquina, que projetava aquelas imagens. Isso foi muito forte na minha infância. E, obviamente, a televisão, pois fui uma criança que ficou muito na frente da TV na minha infância”, disse.

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