A LG vai encerrar a produção de monitores e de notebooks na fábrica de Taubaté, além de suspender a fabricação de celulares, o que vai ocorrer em todo o mundo. Com isso, cerca de 700 empregos estão ameaçados em Taubaté.
A informação é do Sindicato dos Metalúrgicos, que se reuniu com representantes da LG nesta terça-feira (6). Procurada, a empresa ainda não se manifestou.
Segundo Claudio Batista, presidente do sindicato, a LG confirmou na reunião o encerramento da produção de celulares e apontou que pretende levar a linha de notebooks e monitores para Manaus, no estado do Amazonas. O motivo seriam benefícios fiscais e isenções as quais a empresa não dispõe em São Paulo.
A unidade de Taubaté ficaria apenas com o setor de call center e service da LG, na qual trabalham 300 pessoas. Do total de 1.000 trabalhadores da fábrica, 400 atuam no setor de celulares e outros 300 na área de notebook e monitores. Esses estariam com o emprego ameaçado.
A LG possui produção industrial em Taubaté desde 1997 e também mantém uma fábrica na Zona Franca de Manaus, na qual faz aparelhos de ar-condicionado, geladeiras e eletrodomésticos da chamada linha branca, que deixou de ser produzida em julho de 2019 em Taubaté.
“A LG informou que está mantido o fechamento da unidade de celulares e que vai finalizar a produção de monitores e notebooks. Todas as atividades devem estar encerradas até o final do primeiro semestre”, disse Batista.
Segundo ele, haverá reuniões com a empresa nos três próximos dias para tratar do pacote de benefícios dos trabalhadores, como plano médico, PLR, indenização social e qualificação profissional aos demitidos.
“Vamos debater na quarta até sexta com a empresa. Objetivo é finalizar esse processo de discussão e apresentar aos trabalhadores, para que possamos fazer uma votação com todos sobre o tema”, completou o sindicalista.
O sindicato informou ainda que a LG teria um plano de realocação de alguns trabalhadores para Manaus ou São Paulo, mas não há detalhes da quantidade.
Na fábrica de Taubaté, o clima é de incerteza e preocupação. E o quadro pode ser pior. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos diz que o encerramento da produção na LG impacta 430 funcionários de três fábricas terceirizadas exclusivas da empresa --Blue Tech e 3C (Caçapava) e Sun Tech (São José)--, que estão com cargos ameaçados com o anúncio do fim da divisão de celulares.
PREFEITURA
Em nota, a Prefeitura de Taubaté informou ter entrado em contato com o RH da planta da LG na cidade e, segundo a empresa, a direção da empresa no Brasil recebeu a notícia de que a LG não mais fabricará smartphones no mundo inteiro.
“Desde início de fevereiro, em tratativas entre LG e prefeitura, a empresa informa que tem interesse em reativar a operação da linha branca (geladeiras, lavadoras, etc), sendo o único impeditivo o alto valor do ICMS praticado no Estado. A Prefeitura atua com a política de redução de impostos municipais, no limite da lei, para que a empresa permaneça na cidade e os empregos sejam mantidos. A Secretaria de Desenvolvimento e Inovação já informou ao Estado que, caso haja negociação sobre ICMS na planta de Taubaté, a LG informou que há condições de reativar a produção de linha branca”, disse a prefeitura.
Sobre a informação do sindicato de que a produção na planta da LG será integralmente fechada, a prefeitura disse que irá aguardar a empresa se posicionar oficialmente sobre o tema. Em 2020, segundo a administração, a LG pagou IPTU no valor de R$ 396.759,70 e ISS de R$ 120 mil por mês.