Prestes a doar o segundo lote de cestas básicas ao povo de Aparecida, no final do mês, o prefeito Luiz Carlos de Siqueira (Podemos), conhecido como 'Piriquito', diz que a situação da cidade é trágica e que o fechamento do comércio ameaça o futuro do município.
"Não sei o que será de Aparecida. Estamos vivendo uma tragédia", disse a OVALE. "Mas o que tem acontecido com a ajuda do povo brasileiro é um milagre". Confira neste Gabinete de Crise.
Qual a situação da cidade?
Temos em Aparecida o maior santuário mariano do mundo, mais de 12 milhões de pessoas depositam a sua fé na mãe Aparecida. É dessa peregrinação que a cidade se sustenta no socioeconômico. Não tendo economia, não temos o social. Estamos atravessando um momento muito grave, uma tragédia socioeconômica. Eu venho lutando com as forças que sempre tive, e muita gente está ajudando Aparecida. Mas a minha cidade está triste, porque 80% das pessoas dependem do turismo religioso, que não está tendo nesse momento. Tem muita família passando grandes necessidades.
Qual o tamanho da crise?
A nossa geração de empregos é de comércio e serviços com ligação direta à peregrinação. Cerca de 95% dos hotéis estão fechados, demitiram todos os empregados. Os restaurantes estão todos fechados e também demitiram. As lojas, a feira de ambulantes, também estão desativadas. Se as pessoas não têm dinheiro para comer, muito menos para pagar os tributos. Estamos quebrados.
Como resolver?
Tenho muita fé e sou devoto. Na minha mesa, tenho várias Marias e digo que pode vir o mal que vier que as Marias não deixam passar pela minha mesa. Nenhum cristão dorme sossegado se não vê a dignidade do seu povo. Fomos abençoados pela ajuda que o povo brasileiro está dando a Aparecida. Vamos sair dessa crise com muito trabalho e a fé em Nossa Senhora Aparecida.
O que achou da repercussão nacional do seu pedido de ajuda a Aparecida?
Foi importante para que a gente pudesse dar dignidade ao nosso povo. Falei ao povo brasileiro da nossa indignação de estar aqui abandonados e marginalizados pelo sistema do Estado e da União. Nós vivemos de peregrinos e não os temos mais, alguma urgência tinha que ser feita. Não posso continuar governando uma necessidade subjugada pela fome. Foi um verdadeiro milagre a quantidade de doações que recebemos.