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Criação do Jeca Tatu inicia conflito entre o escritor e a elite tabauteana

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Monteiro Lobato
Monteiro Lobato

O escritor Monteiro Lobato, pai da literatura infantil brasileira, é um dos principais ícones de Taubaté, se não o maior. Referência literária de várias gerações, imortalizou personagens como Emília, Cuca, Narizinho (que inclusive completou 100 anos neste mês), entre outras obras.

Mas, na cidade onde nasceu e viveu boa parte de sua vida na primeira metade do século 20, Monteiro Lobato nem sempre teve uma bola relação e nem sempre foi bem visto por parte da sociedade taubateana. Principalmente pelas elites locais.

Novas cartas enviadas por ele ao amigo Cesílio Ambrógio, datas de 1943 e divulgadas no portal do Almanaque Urupês, especializado na obra do escritor, mostra bem essa relação estremecida e conflituosa e entre ele e os poderosos da cidade.

Em uma delas, titulada de ‘O Anti-Taubaté’ no portal, mostra a desconfiança de Lobato em relação a um projeto de criação de uma biblioteca no Sítio do Pica-Pau Amarelo.

“Taubaté, meu caro (e eu sei isso a fundo). Taubaté, o padre, o bispo, a carolice, a estreiteza mental, o acanhamento intelectual crônico; e, portanto jamais prestaria homenagem a um sujeito que é anti – Taubaté em tudo, e isso desde menino”, escreveu Lobato a Ambrogi.

Na carta, Lobato ainda faz referência ao desejo da esposa de Cesídio, Lygia Fumagalli Ambrogi, de produzir um romance. “É capaz de sair coisa muito boa”.

Em outra carta, ele volta a mostrar descrença no apoio do setor público à criação da biblioteca.

“O Poder Público não colaborará, porque o Poder Público em nossa terra é a própria Sujeira Organizada”, disse Lobato.

“A nossa Ordem Social é uma coisa tão suja e sórdida que o meu consolo hoje é um só: saber que vou morrer e afastar-me ab aeternitate da sujeira”, afirmou o escritor em outro trecho da mensagem feira em máquina de escrever, no dia 20 de dezembro de 1943.

CONTRA A ELITE.

Pedro Rubim, um dos idealizadores do Almanque Urupês e grande conhecedor das obras de Monteiro Lobato, também ressalta que a bronca do escritor nunca foi com a cidade, mas contra quem a comandava.

“Pessoal no poder é quem sempre abominou a obra dele. E esse anti-Taubaté não é contra a cidade, mas contra essa elite que ele conhecia muito bem. Ele está se insurgindo contra esse povo que ele conhece nos pormenores”, explica Rubim a OVALE.

REAÇÃO. Pedro Rubim, do Almanque Urupês, lembra que Monteiro Lobato herdou uma fazenda de Buquira, atual cidade de Monteiro Lobato, e é lá que formulou o Jeca Tatu, que desconta a neurose de um fazendeiro falido na figura de um pequeno plantador, um caipira da região. Nas obras seguintes, Lobato já muda de ideia sobre essa criação, que era a elite que ele representava. "E escreve as obras seguintes que ele faz uma crítica às elites. Ele vira um ombudsman e essa elite se volta contra ele", explica Rubim..

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