Apesar dos ataques ocorridos nos últimos anos, o apoio à democracia no Brasil continua sólido – e em alta. É o que apontam alguns dos institutos de pesquisa mais respeitados do país.
O levantamento mais recente foi feito pelo Ipespe (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas) no mês passado. A pesquisa apontou que o apoio a um regime democrático sobre qualquer outra forma de governo subiu de 56% em outubro de 2018 para 67% em fevereiro de 2022.
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A mesma pesquisa apontou que somente 7% dos brasileiros acreditam que, dependendo das circunstâncias, um regime autoritário seria preferível a um democrático. Esse percentual é menor do que o registrado em 2018, quando o grupo somava 13%.
O que também recuou foi a indiferença com relação ao modelo de regime adotado no Brasil. Na pesquisa de fevereiro passado, 19% disseram não se importar com a questão. No levantamento de 2018, eram 23%.
O Ipespe também questionou os entrevistados sobre o nível de satisfação com a atual democracia. Dos ouvidos, 51% disseram estar insatisfeitos com a situação pela qual atravessa o regime no país – praticamente o mesmo percentual de 2018. O índice de muito insatisfeitos aumentou de uma pesquisa para outra, de 12% para 23%. O percentual de satisfeitos com o atual momento da democracia no Brasil também subiu, de 21% para 29%. Os muito satisfeitos somaram somaram 2% nas duas pesquisas.
O Datafolha também tem realizado pesquisas nos últimos anos para medir o apoio à democracia no Brasil. A última sondagem, divulgada em setembro de 2021, apontou que 70% dos entrevistados entendem que esse é o melhor regime de governo para o país – o segundo maior percentual observado na série histórica, iniciada em 1989. Em junho de 2020, era 75% (o maior índice já registrado). Em dezembro de 2019, era 62%. Em outubro de 2018, mês da última eleição presidencial, era 69%. O patamar mais baixo da série, de 42%, foi registrado em fevereiro de 1992.
Em setembro passado, aqueles que responderam que tanto faz uma democracia ou uma ditadura eram 17%. Em 2020, foram 12%. E em 2019, eram 22%.
Na última pesquisa do Datafolha, 9% disseram que em certas circunstâncias uma ditadura é melhor do que um regime democrático. O índice foi de 10% em 2020 e de 12% em 2019.
Também nessa última pesquisa do Datafolha, de setembro de 2021, a análise das variáveis sociodemográficas mostrou que a preferência pela democracia é majoritária em todos os segmentos e cresce conforme aumenta o grau de instrução (57% entre os menos instruídos ante 89% entre os mais instruídos) e a renda familiar mensal do entrevistado (64% entre os que possuem renda familiar mensal de até 2 salários mínimos ante 87% entre os que possuem renda familiar mensal de mais de 10 salários mínimos). Já o índice de indiferentes com o tipo de regime é mais alto entre os menos instruídos (25%) e entre os mais pobres (21%).