A arte traz reflexões, provoca e liberta. Leva o público a ver até aquilo que -- mesmo enxergando -- não via. Com formas e cores, cria um universo novo e convida o outro a flutuar pelos espaços meio cheios ou vazios do seu próprio mundo, como o astronauta que consegue vislumbrar toda a imensidão e a insignificância humana.
Nem que a viagem comece a bordo de uma bicicleta...
Quando menino, acompanhado pela 'magrela', Anderson Ferreira Lemes pintava as calçadas e desenhava nas paredes sempre que podia em Assis (SP), cidade onde nasceu.
Crescido, já sob o nome de Alemão Art, passou a expressar seu olhar do mundo pelo mundo afora -- já foram mais de 30 países.
Com obras repletas de simbologia, marcas registradas, Alemão deseja provocar reflexões no público, ajudando-o a olhar a vida sob outro prisma.
"É momento de pensar o mundo atual, e não de ficar lamentando. Se dedicar a arte, claro, mas fazer o que está ao nosso alcance. Os projetos vão voltar, mas a questão é ter sabedoria para coisas importantes para a humanidade. É momento de produzir, pensar como ser humano", afirmou, referindo-se à pandemia provocada pelo coronavírus.
LEMBRANÇAS.
Uma das principais marcar registradas de Alemão é a bicicleta.
Ele faz o desenho em seus grafites, para relembrar uma época já distante, mas bem guardada na memória.
"Eu pintava outro estilo de arte, um surrealismo crítico, algo mais pensando no mundo, entre questões de consumismo, meio ambiente, outras coisas. Mas essa série foi um estudo pessoal, simboliza muito o que vivi na infância. Vim de uma cidade pequena no interior, e a bike era algo que nos permitia andar, sair. Não é só estética, para mim é nostalgia".
"Foi total descobrimento, também voltar a coisas que vivi na infância e adolescência, então foi algo bem desafiador", afirmou Alemão, que se aproxima de mil artes usando a bicicleta como marca.
Outras referências são a presença do coelho, que representa o próprio artista, e a ausência de face nos personagens -- a exceção são os animais.
"Os personagens são invisíveis, representam aquilo que falta nas pessoas. Como eu sou disléxico, é uma arte voltada além da nostalgia em si, tem esse efeito de provocação também, que as pessoas são vazias, que sempre falta algo... Perante a sociedade, você nunca é um ser completo", conta.
NO ESPAÇO.
Sua nova marca é o desenho de um astronauta, que convida o público a uma análise a respeito do momento vivido pelo planeta. "Coloco o astronauta nas artes como se fosse uma bússola do tempo, algo que permeia do que vai acontecer, o que tem acontecido com o mundo. O astronauta é o único ser humano que esta protegido desse vírus. São questões novas para mim, e vão começando a abrir um leque para tentar ver o mundo onde a gente vai conseguir chegar", conta o artista, que também é responsável pelo grafite 'A liberdade informando o povo', produzido no hall da sede de OVALE, em São José dos Campos..