O coronavírus vem se espalhando rapidamente por São José dos Campos e já atinge todas as regiões da cidade, com casos confirmados em 102 bairros, crescimento de 34% em uma semana.
A doença, que começou a se alastrar primeiro por bairros das regiões central e oeste, atingiu as periferias distantes da zona central de São José. É o caso do bairro Buquirinha 2, na região norte, que já registra pacientes infectados por Covid-19.
“É muito preocupante a situação das áreas periféricas. Tem casos nos extremos da cidade, na divisa com outros municípios. Por isso é importante um plano integrado da Região Metropolitana de contenção da doença”, disse o demógrafo Leandro Becceneri, de São José dos Campos e que é doutorando em Demografia pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
É dele o mapa e a análise do avanço da doença pelos bairros de São José. Para tanto, Becceneri usa dados oficiais da prefeitura.
O demógrafo defende um plano regional de contenção da doença em razão da grande mobilidade de pessoas entre as cidades da região, um dos principais vetores de disseminação do vírus.
De acordo com estudo de pesquisadores do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), São José é o maior polo irradiador da Covid-19 pela região.
“Os fluxos de pessoas na RMVale são grandes, como destacado no estudo do Inpe. Por isso, esse plano regional integrado é importante”, afirmou.
PERIFERIA.
Os bairros periféricos têm populações mais vulneráveis à disseminação da doença, em razão de famílias de baixa renda e residências com adensamento excessivo --mais de três pessoas por cômodo-- e famílias em coabitação, dividindo o mesmo espaço.
Pesquisadores do Inpe apontam que as condições socioeconômicas são um agravante para o combate à doença, deixando a população mais vulnerável ao contágio pelo coronavírus.
O avanço da Covid-19 em bairros periféricos de São José repete movimento observado na capital, epicentro da doença no país.
“A doença está avançando para as comunidades vulneráveis da capital e esse será o desafio que enfrentaremos nas próximas semanas”, disse o médico Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan e coordenador interino do Centro de Contingência ao Coronavírus.
Em entrevista a OVALE no final de abril, o secretário de Saúde de São José, o médico Danilo Stanzani, já sinalizava por um reforço da atuação em bairros periféricos, onde o isolamento tende a ser menos intenso.
“Atuamos com orientação e informação nos bairros distantes. Temos vantagens em razão de a aglomeração de pessoas ser 10 vezes menor [do que a capital] e a chance de propagação também é menor, além de termos iniciado precocemente o isolamento social. Isso faz com que os casos continuem crescendo em número pequeno, sem uma inversão da curva muito acentuada”
Para ele, porém, o risco de disseminação ainda existe e a cidade está alerta para o crescimento da doença.
“Não há determinação de não circular, mas não queremos aglomeração. Tentar manter a linha horizontal, com capacidade de assistência médica. Economia tem que funcionar com cuidado da não aglomeração, que é a preocupação com contaminação de larga escala”, disse Stanzani.
Mapa da disseminação da Covid-19 por bairros de São José dos Campos, feito pelo demógrafo Leandro Becceneri