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Decotelli diz que FGV é 'mentirosa' e nega plágio em dissertação de mestrado

Por Agência O Globo |
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Decotelli
Decotelli

Em entrevista à rádio Gaúcha na manhã desta quinta-feira, o ex-ministro da Educação Carlos Alberto Decotelli acusou a FGV (Fundação Getulio Vargas) de ter mentido em nota oficial ao informar que ele não era professor da instituição e refutou as suspeitas de plágio em seu trabalho acadêmico de mestrado.

O comunicado da FGV foi visto como a "pá de cal", no governo, para implodir a posse de Decotelli, que já tinha alterado o currículo duas vezes nos últimos dias por causa de informações falsas que vieram à tona. "A minha grande vergonha e tristeza é a FGV ter se autodenominado como uma grande instituição mentirosa para contrapor documentos públicos e o testemunho pessoal de centenas alunos", disse Decotelli. 

De acordo com o ex-ministro, ele teria dado aulas por videoconferência pela FGV até o último dia 30 de junho. O currículo na plataforma Lattes registra que Decotelli foi professor da instituição desde 2001. Ele afirmou que irá alterar o documento, mais uma vez, para indicar o encerramento das atividades como docente da fundação.

Na terça-feira, a FGV divulgou nota em que negou que Decotelli tenha sido professor efetivo ou pesquisador das escolas da instituição. Segundo a fundação, ele atuou como professor colaborador "apenas nos cursos de educação continuada, nos programas de formação de executivos".

Em seu currículo, Decotelli aponta ter sido "professor" na FGV, entre 2001 e 2018, sem especificar o tipo de relação com a instituição, o que sugere um vínculo efetivo. No meio acadêmico, a prática pode ser considerada pouco transparente, uma vez que há formas de denominar a vinculação como "colaborador".

O economista ainda ressaltou que tirou nota máxima pelo projeto de mestrado, feito na FGV, agora sob suspeita de plágio de outras teses e documentos anteriores. Decotelli, no entanto, negou que tenha feito cópia indevida em seu trabalho acadêmico. "Eu não plagiei a dissertação. A minha dissertação foi defendida na FGV, os meus orientadores deram nota máxima, eu tenho toda a validação".

A FGV vai apurar as denúncias de plágio na dissertação de mestrado defendida pelo economista em 2008. Procurada sobre as alegações de Decotelli de mentira por parte da instituição, a FGV reiterou, por meio de nota, que a atuação do economista foi como professor colaborador em cursos de formação continuada.

POLÊMICAS.

Outras inconsistências do currículo de Decotelli foram evidenciadas nos últimos dias, após sua nomeação para o cargo de ministro. Ele foi desmentido pelo reitor  da Universidade de Rosário (Argentina), que afirmou que o economista não tem doutorado pela instituição por não ter a tese aprovada.

Decotelli admitiu, então, não ter o título de doutor. Ele disse que não tinha dinheiro para retornar à Argentina a fim de defender a tese. "Eu não tinha condições de pagar hotel, passagem aérea e ficar lá para poder concluir".

Em outro episódio, a Universidade de Wüppertal (Alemanha) confirmou que Decotelli realizou uma pesquisa por três meses na instituição, mas que não emitiu título acadêmico ao economista. Ele afirmava ter pós-doutorado pela instituição. Ele, de novo, alterou o currículo. Um pós-doutorado não é um título acadêmico formal, mas é um termo usado em referência apenas a pesquisas feitas após um acadêmico obter um título de doutor — pré-requisito que Decotelli não tem.

"Pós-doutorado não é classe, pós-doutorado é pesquisa. Eu fui à pesquisa", defendeu-se, após revelação.

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