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Teatro filme 'Medeia por Consuelo de Castro' chega em abril

Por Da Redação |
| Tempo de leitura: 3 min
Medeia por Consuelo de Castro
Medeia por Consuelo de Castro

Para comemorar seus 10 anos, em 2020, a Cia. BR 116 programava uma montagem da peça “Medeia”, assinada por Consuelo de Castro, uma das maiores dramaturgas brasileiras, morta em 2016. A pandemia, no entanto, impossibilitou que o espetáculo fosse apresentado num teatro, porém, o grupo encontrou no cinema a possibilidade de levar a obra ao público. Combinando linguagens, “Medeia por Consuelo de Castro”, um teatrofilme, como o grupo chama o projeto, é uma experiência única que chega aos Super Lançamentos do Belas Artes À LA CARTE a partir de 9 de abril.

O fechamento dos teatros obrigou que artistas buscassem novas maneiras de se apresentar, e a Cia. BR 116 encontrou um formato de encenação sem público, mas para o público, que apreciará o teatrofilme numa plataforma digital. “As perguntas foram maiores que as respostas. Algumas dificuldades sanadas com insanidades e amizades. Soluções cênicas surpreendentes. Problemas econômicos gritando na vida dos envolvidos. A força da necessidade encontrando eco no poder da arte e da história. Nunca vimos tanta generosidade coletiva. E o seu contrário também”, explica Bete Coelho, que além de protagonizar o espetáculo, dirige-o ao lado de Gabriel Fernandes.

Com uma equipe reduzida, os artistas da companhia dobraram suas funções, o que permitiu a encenação e sua filmagem. Fernandes conta que aliar o cinema ao teatro potencializou o espetáculo. “Foi uma equação perfeita, gosto de filmar ator e amo a dramaturgia pungente e sofisticada da Consuelo. O ator, mais que o diretor, é quem está mais próximo do autor, expõe suas falas, dá vida, corpo, razão e emoção às personagens. Minha função foi, através da câmera e da edição, criar o terreno para florescer o trabalho dos atores e a história da Consuelo.”

A peça, escrita em 1997, e intitulada “Memórias do Mar Aberto – Medeia conta a sua história”, é baseada no original do grego Eurípedes do século 5 a.C., e recria a trama, trazendo novas dimensões e conflitos internos para as personagens. Na peça original, Jasão (Flávio Rochaa) troca sua mulher, Medeia, por Glauce (Luiza Curvo), filha do rei Creonte (Roberto Audio). Dessa maneira, consegue um posto de destaque no exército. Porém, ferida, a esposa se vinga. A versão de Consuelo, no entanto, traz algumas mudanças nessa trama, dando-lhe um contorno político.

O novo formato impôs alguns desafios e trouxe descobertas para a equipe e elenco. “Pela primeira vez eu ensaiei um texto pela internet. O set era uma mistura de cinema e teatro. Um lugar novo para nós. Foi trabalhar ali, no limiar. Mas sentindo alguma coisa especial acontecer”, comenta Rochaa. Luiza concorda com o colega, e destaca o trabalho da dupla na direção. “Bete e Gabriel são a alquimia perfeita entre técnica e criatividade. Fazer a Glauce, nessa obra, foi também me reinventar em possibilidades imagéticas, físicas e sonoras”.

“Podemos ver na tela o cansaço, as olheiras que fizemos questão de não esconder. O desmedido. O acaso e o descaso. O suor lembrando que é teatro. Vemos uma trupe de atores se apropriar de uma tragédia que ainda é nossa: o poder infame e corrupto. Vemos uma mulher – com sua capacidade política, transgressora e intuitiva – sendo esmagada. Vemos, afinal, o início e fim de toda tragédia. Ações humanas sob o signo do sofrimento”, finaliza Bete.

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