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Campanha Juntos Pelo Cinema prepara público para a volta, reforçando ligação com a telona

Por Agência O Globo |
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Festival de cinema
Festival de cinema

Com praticamente 100% das salas de exibição fechadas desde março em todo o país por conta da pandemia de Covid-19, o setor contabiliza os prejuízos com a paralisação das atividades e as incertezas em relação às possibilidades de retorno. Contudo, uma pesquisa online realizada com mais de 27 mil pessoas no país, entre  11 a 22 de maio, trouxe novo ânimo ao mercado. Realizado pela empresa Vibezz em todas as regiões do país, o levantamento apontou que o público de 16 a 24 anos é o que mais sente falta de voltar às salas de cinema: neste recorte, 75% dos entrevistados cita o cinema como prioridade de entretenimento no retorno das atividades, ficando acima de passeio ao ar livre, que ocupa o segundo lugar, com 37,5% dos votos. Deste público, 80% acredita que, após o retorno, a frequência deve se manter igual ou maior ao que era antes da pandemia.

A pesquisa integra o movimento #JuntosPeloCinema, uma ação coletiva que envolveu exibidores, distribuidores, produtores e outros membros do mercado nos últimos três meses, com a intenção de reforçar a ligação do público com a experiência de assistir a um filme numa sala de exibição. A primeira parte da ação é o lançamento de uma campanha nacional nesta terça-feira, na qual um vídeo que destaca os laços entre cinema e os espectadores será veiculado em mais de 300 veículos de mídia. A segunda etapa será a divulgação de um estudo sobre os protocolos de segurança desenvolvidos por autoridades sanitárias em conjunto com o setor, voltado sobretudo a pequenos e médios exibidores, para que possam reabrir suas salas seguindo as diretrizes que serão estabelecidas. Por último, já definido o período de reabertura, será realizado o Festival De Volta para o Cinema, que ocupará salas em todo o Brasil nas duas semanas iniciais da volta às atividades.

Para Paulo Celso Lui, presidente do Sindicato das Empresas Exibidoras de São Paulo, estado que concentra a maioria das salas no país, a campanha reforça previsões positivas vindas de países que já iniciaram a retomada da atividades.

"São países que estão alguns meses na nossa frente, onde a impressão inicial é de que o público retomou a confiança de voltar ao cinema, desde que observados todos os cuidados sanitários", comenta Lui, para quem é difícil ainda estimar o prejuízo do setor este ano. "É complicado comparar com o ano passado, que foi totalmente fora da curva. Já esperávamos uma redução de 15% da bilheteria, mas ainda assim, a princípio, seria um ano bom. Havia uma boa oferta de blockbusters, temos que avaliar após a reabertura como vai ficar o calendário de estreias".

Outras pesquisas também foram realizadas para apontar o que o público gostaria de assistir na reabertura das salas, antes que a programação dos distribuidores e exibidores se normalize. Elas foram um dos parâmetros utilizados pelo crítico Érico Borgo, responsável pela curadoria do Festival De Volta para o Cinema. Um dos fundadores do portal Omelete, do qual saiu este ano, Borgo conta que a programação vai incluir clássicos e sucessos recentes do cinema, sem adiantar os títulos selecionados nos últimos três meses. A partir da seleção final, cada exibidor que aderir a campanha decide os títulos que irá mostrar.

"A data de início do festival vai depender das definições das autoridades sanitárias para o setor, e vai receber o público no momento da volta, antes das estreias dos primeiros blockbusters. Será importante para as empresas e equipes se adaptarem aos novos protocolos de segurança", observa Borgo. "Tentamos incluir na programação o que este espectador frequente gostaria de ver na volta, mas a seleção não é voltada só para o cinéfilo de carteirinha. A ideia central é trazer aqueles filmes tidos como os que precisam ser vistos numa sala de cinema. São obras que muita gente não pôde ver no cinema, pela idade ou por falta de oportunidade, e que agora terão nova chance".

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