Brasil

Guedes e Maia trocam desculpas e prometem união em torno do teto de gastos

Por Agência O Globo |
| Tempo de leitura: 3 min
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia e o ministro da economia, Paulo Guedes, após a reunião no ministério
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia e o ministro da economia, Paulo Guedes, após a reunião no ministério

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ministro da Economia, Paulo Guedes, pediram desculpas mútuas nesta segunda-feira pelas troca de farpas públicas na semana passada. Durante um jantar convocado por parlamentares, os dois defenderam a pacificação, a continuidade da agenda de reformas e o respeito ao teto de gastos.

"Na minha última eleição, a única pessoa do governo que me apoiou explicitamente, mesmo sem dizer, foi o ministro Paulo Guedes. Infelizmente, nos meses seguintes a Previdência, por divergências, por erros meus, nós fomos nos afastando. Na semana passada, deixo aqui o meu pedido de desculpas, fui indelicado e grosseiro, o que não é do meu feitio, ao contrário", disse Maia.

Guedes também pediu pediu desculpas e disse não ter ofendido o presidente da Câmara: "Eu nunca ofendi o presidente Rodrigo Maia. Isso não é ofensa pessoal, foi uma troca de opiniões. O presidente Rodrigo Maia falou: 'olha, você está atrasando a reforma tributária'. E eu 'olha, e as privatizações aí?' Isso são trocas de opinião. Não tem ofensa. Agora, eu, caso eu tenha ofendido o presidente Rodrigo Maia, ou qualquer político que eu possa ter ofendido inadvertidamente, eu peço desculpas também. Não é um problema".

O jantar foi articulado por parlamentares aliados de Maia e Guedes e ocorreu na casa do ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Bruno Dantas. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), também participou da reunião, além de outros parlamentares e ministros.

Guedes e Maia têm protagonizado embates públicos nas últimas semanas. O mais recente ocorreu na última quarta-feira, quando o presidente da Câmara chamou o ministro da Economia de "desequilibrado" após Guedes dizer que o deputado fez acordo com a esquerda para travar as privatizações.

Antes de falar com jornalistas, Maia discursou defendendo o teto de gastos e afirmando ser necessário cortar "no músculo". Segundo participantes do encontro, Guedes elogiou Maia, defendeu que não há caminho fora do teto de gastos e se comprometeu a sentar para fixar uma agenda consensual de curto prazo.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), que ajudou a articular o encontro, e Alcolumbre também falaram. Guedes sentou ao lado de Alcolumbre e Maia, que ficou também ao lado de Renan.

Após os discursos, eles desceram para falar com a imprensa e, em seguida, voltaram para a casa de Bruno Dantas. No jantar foi servido guisado de bode, risoto e salada.

Ao falar com os jornalistas, nesta segunda, Maia defendeu a regulamentação do teto de gastos, para cortar despesas, e disse que isso pode resolver o Renda Cidadã.

"Disse ao ministro e a todos os presentes que a situação fiscal do Brasil é muito difícil, dramática, e que nós temos que estar unidos dentro do teto de gastos para encontrar soluções. Para o programa de transferência de renda que precisa ser criado, com todas as dificuldades que teremos".

Guedes defendeu a consolidação de programas sociais para bancar o Renda Cidadã, e disse que quem dá o timing das reformas é a ala política do governo.

"Vamos ter que aterrissar o programa de auxílio emergencial em um Renda Brasil robusto, que permita os brasileiros mais frágeis se erguerem. E de outro lado temos que pensar também em criar programas de empregos em massa, reduzindo o custo de criação de empregos", disse Guedes.

Alcolumbre afirmou que o jantar marca "um novo início" da relação: "Esse gesto de reaproximação, de uma agenda que é conciliatória, foi fundamental para que a gente possa a partir de amanhã virar uma página nessa construção, que é coletiva".

Comentários

Comentários