Brasil

Covid-19: com metade da população vacinada, Rio tem menor número de internados em 15 meses

Por Agência O Globo |
| Tempo de leitura: 4 min
Vacinação drive thru na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), zona norte do Rio.
Vacinação drive thru na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), zona norte do Rio.

Depois de bater recorde de pessoas vacinadas em um único dia, o Rio atingiu ontem outra marca importante no combate à Covid-19. Na verdade, duas. Metade da população da capital já recebeu pelo menos a primeira dose. E a rede pública de Saúde registrou, às 19h52 desta quinta-feira, 629 pacientes internados com a doença, o menor número desde abril do ano passado. Esse dado, segundo o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, é reflexo da campanha de imunização, que foi acelerada na cidade.

— Julho é o primeiro mês em que a gente vê que o número de pessoas internadas e de óbitos vem caindo em uma velocidade que a gente não esperava. Estamos nos patamares do início da pandemia — avalia Soranz. — Isso mostra que a vacinação funciona, que ela dá resultado. Têm menos pessoas internadas, menos pessoas morrendo de Covid, menos pessoas ficando doente. Quem não acredita na vacina está vendo que é justamente o contrário.

Pelo painel da prefeitura, em 25 de abril do ano passado, havia 631 pessoas internadas com Covid-19 em Unidades de Tratamento Intensivo e enfermarias do Sistema Único da Saúde (SUS) na capital. Dali em diante, começou a disputa por uma vaga nos hospitais. Em 27 de maio de 2020, já eram 1.324 internações.

Sem descuido

Presidente regional da Sociedade Brasileira de Infectologia, Tânia Vergara considera um avanço o Rio ter reduzido as internações por Covid-19 e ter atingido 50% da população total vacinada com a primeira dose. Mas alerta que não é momento de descuido nem de realizar eventos com público aglomerado. Tomaram a segunda dose ou a dose única 18,2% dos cariocas.

— A primeira dose não imuniza. Sem a segunda dose, a população ainda continua vulnerável. E, mesmo com a segunda dose, há risco de contrair a doença. O uso de máscara e manter o distanciamento continuam fundamentais — adverte Tânia. — Claro, com a vacinação, os casos são menos graves e há menos óbitos. Mas a pandemia ainda está aí. É só ver o que está acontecendo em países onde a vacinação está avançada, como Israel e Inglaterra. Nesse contexto, temos que levar em conta ainda as novas variantes.

Soranz lembrou que a repescagem para maiores de 40 anos se estenderá até amanhã. Ele espera atingir a meta de vacinar até este sábado 90% da população entre 40 e 49 anos, com a primeira dose. Às 17h de ontem, havia chegado a 80% (649 mil pessoas) desse grupo. Faltavam 185.597 para bater a meta. Conforme dados da prefeitura, mais de 45% das pessoas internadas estão na faixa de 40 a 59 anos.

Segundo o secretário, não há intenção de prosseguir com a repescagem na próxima semana. A estratégia seria uma forma de impedir a ação dos "sommeliers" da vacina, que deixam de se imunizar na data marcada para escolher a marca de sua preferência.

— Semana que vem estaremos com o calendário na rua. Vamos vacinar quem tem 39, 38 e 37 anos — disse Soranz.

Diretor da associação de hospitais privados do Rio, o médico Graccho Alvim conta que a redução de internações também foi registrada na rede particular, o que levou a uma desmobilização de muitos leitos destinados a pacientes com coronavírus. Ele ressaltou que os medicamentos do kit intubação, um dos grandes problemas na terceira onda que atingiu o Rio nos últimos meses, voltaram a ser encontrados no mercado de forma regular devido à queda dos atendimentos.

— A gente tem recebido menos pacientes em estado grave, principalmente entre os vacinados. Atendemos até pessoas que já foram totalmente imunizadas com as duas doses e infectadas, mas caiu a quantidade de casos graves da doença e de óbitos. Temos hoje uma população mais jovem se internando, além de pessoas que tomaram a vacina e se descuidam das regras sanitárias — contou.

Apesar do alívio da pressão na linha de frente, Alvim se diz preocupado com a variante delta, que já foi identificada no Estado do Rio:

— Tenho observado o comportamento da doença em outros países como a Inglaterra, que tem tido mais casos, mas sem um grande aumento nos óbitos por causa da vacinação. Estamos em uma posição melhor, mas ainda em um patamar que nos preocupa. É preciso que todos mantenham os cuidados.

Comentários

Comentários