Milhares de manifestantes voltaram às ruas na manhã deste sábado em pelo menos 13 capitais brasileiras, entre elas Rio de Janeiro, Recife e Goiânia, para pedir o impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e cobrar celeridade na vacinação contra Covid-19. Os atos transcorrem em meio a um desgaste sofrido pelo governo diante de denúncias de corrupção e propina em negociações para compra de vacinas.
Os protestos, convocados por entidades e movimentos sociais, contam com o respaldo de partidos políticos e centrais sindicais. Além da oposição, alas do centro e da direita que hesitavam em aderir aos atos também endossam as manifestações. Siglas como PSDB e PSL planejam a participação mas sem fortalecer uma eventual candidatura de Lula nas próximas eleições.
Até as 14h, foram registrados atos nas capitais Belém, Boa Vista, Campo Grande, Cuiabá, Florianópolis, Goiânia, João Pessoa, Maceió, Porto Velho, Recife, Rio de Janeiro, São Luís e Teresina, de acordo com o G1. Também houve protestos em países como Alemanha, Áustria, Irlanda e Suíça. Estão previstos 361 atos em 315 municípios de todos os estados brasileiros e em 15 nações no exterior, segundo os organizadores.
Inicialmente previstas apenas para o próximo dia 24, as manifestações foram antecipadas após crise desencadeada no governo frente as suspeitas sobre a compra da vacina indiana Covaxin e a acusação de pedido de propina para aquisição de doses da AstraZeneca. Os protestos foram organizados às pressas e ocorrem exatas duas semanas depois dos últimos atos contra Bolsonaro, em 19 de junho.
Dezenas de representantes de movimentos e partidos políticos apresentaram na última quarta-feira um 'superpedido' de impeachment contra Bolsonaro. O documento que contou com 45 signatários unificou os argumentos expostos em outros 123 pedidos já submetidos à Câmara. Um dos apontamentos mais recentes é o de que o presidente teria cometido prevaricação nas suspeitas de corrupção no contrato de compra da Covaxin.
RIO DE JANEIRO
No Rio de Janeiro, o ato acontece na Avenida Presidente Vargas, no Centro da cidade. Entre cartazes contra o presidente, destacaram-se também bandeiras do Brasil e do movimento LGBTQIAP+. O deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ), líder da minoria na Câmara, foi à manifestação vestindo uma camisa com as cores do Brasil. É o primeiro protesto do qual o parlamentar participa.
"As cores do Brasil não pertencem a nenhum ditador. Pertencem ao povo brasileiro. Bolsonaro fez as cores da bandeira serem a da divisão e do ódio. Qualquer um que defenda a democracia tem o direito de usar a bandeira", afirmou Freixo.
A bandeira brasileira e as cores verde e amarelo eram marcas das manifestações a favor de Bolsonaro mesmo antes de sua eleição, em 2018. Agora, nos protestos contrários ao presidente, o uso dos símbolos seria uma forma de fazer acenos a movimentos do centro e da direita.
Representantes de partidos como Psol, PT, PSB, PV, PDT, PCdoB, PCB e Cidadania marcaram presença no protesto. Devido à pandemia, alguns manifestantes distribuíram álcool em gel e máscara para os demais participantes do ato.
Para a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), a manifestação é uma forma de pressionar o presidente da Câmara, Arthur Lira, a dar prosseguimento a abertura do processo de impeachment, além de respaldar as investigações da CPI.
"A manifestação vai respaldar o pedido de impeachment. É evidente que existe um vontade de uma maioria pela saída de Bolsonaro. Porém, há uma dureza por parte da presidência da Casa. Sem esse povo na rua, é impossível ajudar a CPI a investigar o governo e ajudar que o Parlamento a abrir o processo de impeachment", disse a parlamentar, que também participa do ato.
O vereador Chico Alencar (PSOL) defendeu que a retirada do presidente do cargo deve ser uma prioridade.
"Não é melhor esperar. Não tem prazo pra tirar um presidente. Ficar colocando intenções eleitorais na frente [do impeachment] vai contra ética. Temos que lutar pelo impeachment. Se não for possível, aí sim vamos às urnas combatê-lo."
Segundo o vereador Lindbergh Farias (PT), a manifestação serve não apenas para pressionar o presidente da Câmara para a abertura do impeachment, como também pressionar demais parlamentares apoiarem o impedimento de Bolsonaro. Ele avalia que é "fundamental" a participação de demais partidos do centro e da direita.
"É a maior mobilização que teve no Rio até agora. Isso acontece no momento em que a crise cresce no Brasil, principalmente com o que vem sendo revelado na CPI."
O cantor Tico Santa Cruz também esteve no protesto. "O momento é muito complicado. Estamos no meio da pandemia sem ter um governo. Precisamos usar a nossa voz, a nossa influência. Eu trouxe a bandeira do Brasil porque ela pertence a todos nós. Hoje não se trata de direita ou esquerda. Se trata de democracia contra o desgoverno."
BOA VISTA
Manifestantes protestaram contra Bolsonaro e o garimpo ilegal na capital de Roraima. No ato, que contou com caminhadas e carreatas, os participantes pediram o impeachment do presidente, a aceleração da imunização e a erradicação da fome e da pobreza.
CAMPO GRANDE
Na capital do Mato Grosso do Sul, os manifestantes exibiram faixas e cartazes de "fora Bolsonaro" em defesa da vida, emprego e democracia.
CUIABÁ
Por volta das 11h, manifestantes seguiram em passeata pelo centro da capital do Mato Grosso com faixas e cartazes, com frases como 'Fora Bolsonaro, vacina no braço e comida no prato' e 'Bolsonaro genocida'. Além da saída do presidente, o grupo pede vacinação em massa, aumento do auxílio emergencial e testagem da população.
GOIÂNIA
Em Goiânia, a manifestação teve início às 9h, na Praça Cívica. Os participantes protestaram contra o governo Bolsonaro e defenderam a vacinação.
JOÃO PESSOA
Em João Pessoa, na Paraíba, os manifestantes carregaram cartazes com dizeres contra Bolsonaro e pedidos por mais doses da vacina. Na concentração, desenharam no chão corpos e colaram fotos de vítimas da Covid-19.
MACEIÓ
Na capital alagoana, com bandeiras do Brasil e placas de 'Fora Bolsonaro', os manifestantes pedem mais vacina, cobram impeachment do presidente e criticam a conduta do governo federal no combate à pandemia.
PORTO VELHO
Na capital de Rondônia, faixas, cartazes e palavras de ordem pediam por mais vacinas para a população, mais segurança para a população do campo e o impeachment de Bolsonaro. Manifestantes também espalharam cruzes pela praça para simbolizar as vítimas da Covid no estado.
RECIFE
Na capital pernambucana, o protesto pedia vacinação contra a Covid-19 e testagem em massa da população. O ato aconteceu no centro da cidade, com direito a fila indiana dos manifestantes, que buscaram manter o distanciamento social.
SÃO LUÍS
Em São Luís, a concentração foi feita na Praça Deodoro, no Centro Histórico da capital, onde faixas e cartazes demandavam mais vacinas contra a Covid-19, exigiam a volta do auxílio emergencial, pediam o impeachment do presidente e do vice, Hamilton Mourão, e repudiavam o cenário político do país.
TERESINA
No Piauí, manifestantes pediram a saída de Bolsonaro, mais vacinas contra a Covid-19, investigação das suspeitas de pedido de propina para compra dos imunizantes e suspeita de prevaricação pelo presidente. Também houve pedido de aumento do valor do auxílio emergencial para R$ 600.