A força das mulheres na era pós-#MeToo pôde ser vista nas passarelas da Semana de Moda de Nova York, uma das principais do mundo. Ficou evidente, aliás, uma predileção por uma moda mais recatada.
De acordo com as peças desfiladas, o preto está definitivamente de volta. Talvez como um eco do protesto contra o assédio sexual observado no tapete vermelho do Globo de Ouro, quando os presentes vestiram a cor, no último mês de janeiro.
O "power dressing" - estilo de vestuário criado na década de 1980 para o uso no meio profissional - também ganhou força. O estilista Alexander Wang quem o diga. Ele trouxe para a passarela a mulher trabalhadora. Já Prabal Gurung consolidou sua reputação como o estilista da mulher pensante. Se em 2017, ele levou ao desfile uma t-shirt com o slogan "o futuro é feminino", desta vez ele criou uma coleção inspirada em grupos dominados por mulheres na Índia e na China.
Mas, para ele, é o rosa que une as diferentes mulheres. Ao contrário de doçura, a cor surge representando força e coragem.
As referências ao clima no momento não param por aí. As mulheres que Tom Ford levou a passarela vestiam terninhos. Dado sua história com a moda masculina, a produção exibida tinha fortes costuras... Quase não havia saias e as bolsas carregadas pelas modelos traziam as inscrições "pussy power" ("poder da vagina", uma referência à declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou poder agarrar "pela vagina" a mulher que quisesse).
Ralph Lauren também apostou no terno, mas branco. Em tempos escuros como os atuais, o estilista optou por fugir do preto e apostou ainda no azul do Caribe. Mas, nos seus vestidos: golas altas.
Pele coberta.
As saias longas de Calvin Klein e as peças que cobriam pescoço e cabelo presentes em seu desfile podiam sem problema vestir pessoas cuja religião não permite roupas que deixem desnudas partes do corpo.
"Várias mulheres que compram nossos vestidos não gostam de mostrar a parte superior dos braços", explicou Jenny Packham à AFP. No seu desfile, capas para tapar os ombros. Ainda segundo ela, a escolha do preto tem menos a ver com o clima de protesto e mais com um casamento das peças com o gosto pessoal de suas clientes.
Completando, o colombiano Esteban Cortázar, que revisitou os ponchos e xales urbanos, assimétricos e descontraídos, por uma semana silenciosa e sem tantos brilhos.
Animal print e extravagantes cintos fecham as tendências.
Despedida.
A Semana de Moda de Nova York ficou marcada por uma despedida: a venezuelana Carolina Herrera, de 79 anos, disse adeus ao cargo de diretora criativa da grife que fundou há quatro décadas.
No hall do MoMa (Museu de Arte Moderna), modelos vestiram camisa branca, marca registrada da estilista. Ao final, ela passou o bastão a Wes Gordon. Carolina ocupará o cargo de embaixadora global, enquanto Wes assinará a direção criativa da grife.
O canadense Jason Wu, por sua vez, deixará a Hugo Boss para se concentrar na sua própria linha. Por fim, Victoria Beckham e Jenny Packham se mudarão para Londres na próxima temporada para celebrar seus respectivos aniversários, de 10ª e 30ª anos..