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Das ruas para os palcos circenses, artistas buscam espaço no Vale

Por Julia Carvalho@carvalho8123 |
| Tempo de leitura: 2 min
CARREIRA.Artistas buscam inovar nos palcos ou até no quintal de suas casas com projetos alternativos
CARREIRA.Artistas buscam inovar nos palcos ou até no quintal de suas casas com projetos alternativos

São apenas 30 segundos para o artista mostrar o seu talento. O que geralmente é apresentado nos circos, também é possível encontrar nos semáforos da região. O artista Leandro Silva Delgado, de 35 anos, encontrou nas artes do circo uma maneira de incentivar jovens a construírem uma carreira promissora e segura.

Nascido em São José dos Campos, Leandro começou suas atividades nas ruas da cidade. Hoje é artista circense, produtor cultural e trabalha nas fundações culturais de São José, Paraibuna e Pindamonhangaba, além de fazer parte do Coletivo Circo no Quintal, no qual apresenta espetáculos, workshops, oficinas de construções de equipamentos em sua casa.

O artista trabalhou nos semáforos da cidade nos anos de 2013 e 2014, e grande parte da sua renda dependia desse trabalho. "Nesses anos, 80% da minha renda mensal vinha das minhas atividades no semáforo. Eu tinha uma meta mensal e em todos os meses eu a alcançava. A meta era pagar minhas contas fixas como aluguel, água, luz, telefone e pensão."

Sua paixão pelo circo começou quando, aos 14 anos, viajou com a 'Cia Gran Circo Norte Americano', que atualmente se chama 'Le Cirque'. Foram seis meses em diversas cidades da região. Nesse período, começou vendendo balões e logo passou a operar o canhão de luz. Ao final do espetáculo, entrava no picadeiro para puxar o camelo na atração chamada 'Arca de Noé'.

Leandro explica que a principal diferença entre as apresentações nas ruas e as aulas é a reação do público "Nos palcos, a galera vai lá para te assistir, já sai de casa com essa intenção. Já nas ruas, de repente o sinal fecha e surge um artista a sua frente, são diversas reações, tem gente que adora, menospreza, valoriza, xinga... São todas as reações possíveis", afirma o artista joseense.

Questionado sobre trabalho, Leandro destaca a importância da arte, seja nas ruas ou nos palcos. "O mundo da arte circense é um mundo mágico e não podemos jamais deixar essa arte milenar acabar. Tanto um artista de rua quanto um artista de lona passam por grandes dificuldades e resistem para poder levar a arte para todos."

INDÚSTRIA.

O artista Bruno Souza, que trabalha como palhaço Beringela no Big Brothers Cirkus, acredita que o surgimento da internet pode ter dificultado os trabalhos do circo, mas ele ressalta que a arte circense têm resistido e se reinventado "O público valoriza muito mais circos internacionais, com valores bem altos, e não dão valor para o circo criado aqui no Brasil, temos que trabalhar com outras atrações para chamar atenção do público, ninguém mais abraça a causa do circo", afirmou o artista.

O Big Brothers Cirkus, criado em Caçapava, possui diversas parcerias com prefeituras do Vale do Paraíba para realizar projetos em comunidades carentes e instituições beneficentes. O circo também trabalha com a venda de ingressos com preços mais acessíveis..

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