São apenas 30 segundos para o artista mostrar o seu talento. O que geralmente é apresentado nos circos, também é possível encontrar nos semáforos da região. O artista Leandro Silva Delgado, de 35 anos, encontrou nas artes do circo uma maneira de incentivar jovens a construírem uma carreira promissora e segura.
Nascido em São José dos Campos, Leandro começou suas atividades nas ruas da cidade. Hoje é artista circense, produtor cultural e trabalha nas fundações culturais de São José, Paraibuna e Pindamonhangaba, além de fazer parte do Coletivo Circo no Quintal, no qual apresenta espetáculos, workshops, oficinas de construções de equipamentos em sua casa.
O artista trabalhou nos semáforos da cidade nos anos de 2013 e 2014, e grande parte da sua renda dependia desse trabalho. "Nesses anos, 80% da minha renda mensal vinha das minhas atividades no semáforo. Eu tinha uma meta mensal e em todos os meses eu a alcançava. A meta era pagar minhas contas fixas como aluguel, água, luz, telefone e pensão."
Sua paixão pelo circo começou quando, aos 14 anos, viajou com a 'Cia Gran Circo Norte Americano', que atualmente se chama 'Le Cirque'. Foram seis meses em diversas cidades da região. Nesse período, começou vendendo balões e logo passou a operar o canhão de luz. Ao final do espetáculo, entrava no picadeiro para puxar o camelo na atração chamada 'Arca de Noé'.
Leandro explica que a principal diferença entre as apresentações nas ruas e as aulas é a reação do público "Nos palcos, a galera vai lá para te assistir, já sai de casa com essa intenção. Já nas ruas, de repente o sinal fecha e surge um artista a sua frente, são diversas reações, tem gente que adora, menospreza, valoriza, xinga... São todas as reações possíveis", afirma o artista joseense.
Questionado sobre trabalho, Leandro destaca a importância da arte, seja nas ruas ou nos palcos. "O mundo da arte circense é um mundo mágico e não podemos jamais deixar essa arte milenar acabar. Tanto um artista de rua quanto um artista de lona passam por grandes dificuldades e resistem para poder levar a arte para todos."
INDÚSTRIA.
O artista Bruno Souza, que trabalha como palhaço Beringela no Big Brothers Cirkus, acredita que o surgimento da internet pode ter dificultado os trabalhos do circo, mas ele ressalta que a arte circense têm resistido e se reinventado "O público valoriza muito mais circos internacionais, com valores bem altos, e não dão valor para o circo criado aqui no Brasil, temos que trabalhar com outras atrações para chamar atenção do público, ninguém mais abraça a causa do circo", afirmou o artista.
O Big Brothers Cirkus, criado em Caçapava, possui diversas parcerias com prefeituras do Vale do Paraíba para realizar projetos em comunidades carentes e instituições beneficentes. O circo também trabalha com a venda de ingressos com preços mais acessíveis..