Política

Em meio a polêmica, Ortiz quer caixa-preta de ganhadores de imóveis

Por Julio Codazzi@juliocodazzi |
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Zona de guerra. Conjuntos habitacionais no Barreiro são alvo de operação da prefeitura desde janeiro
Zona de guerra. Conjuntos habitacionais no Barreiro são alvo de operação da prefeitura desde janeiro

Em meio à polêmica envolvendo a operação da prefeitura em conjuntos habitacionais do Barreiro, que já despejou entre 80 e 100 famílias desde janeiro, o governo Ortiz Junior (PSDB) tenta derrubar na Justiça a lei municipal que obriga a divulgação da lista de moradores contemplados com moradias.

De autoria de Pollyana Gama (PPS), que hoje é deputada federal, a lei foi criada em 2015 e prevê que essa lista seja divulgada no site da prefeitura e no diário oficial.

No dia 8 de fevereiro, o prefeito ingressou com uma Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) contra a lei no Tribunal de Justiça. Essa ação foi proposta 25 dias após o início da operação no Barreiro e pelo menos 11 dias depois de a gestão tucana decidir que os imóveis cujos moradores foram despejados serão ocupados por guardas municipais e policiais militares e civis.

Na ação, Ortiz diz que a lei é inconstitucional, pois a Câmara não pode criar obrigações para a prefeitura. O caso será julgado pelo Órgão Especial do TJ, que é composto por 25 desembargadores.

No dia 9 de fevereiro, o relator da ação, Péricles Piza, negou a liminar que poderia suspender o efeito da lei enquanto o mérito não é julgado. "A lei objurgada está em nosso ordenamento jurídico desde 2015, em outras palavras, possui vigência há mais de dois anos. Não há se falar, portanto, em receio de que a demora do julgamento acarrete dano grave ou de difícil reparação à ordem pública", escreveu.

OPERAÇÃO.

Com a lei ainda em vigor, o governo Ortiz deveria divulgar a lista dos novos moradores dos apartamentos desocupados no Barreiro.

A reportagem questionou a gestão tucana sobre quando isso irá ocorrer, mas não houve resposta. A administração do PSDB não informou também por que só ingressou com a ação agora, após mais de dois anos da lei em vigor.

A operação do Barreiro é investigada pelo Ministério Público Estadual e pelo Ministério Público Federal, e está sendo alvo de diversos questionamentos. Um deles é o fato de os despejos estarem sendo feitos sem o devido processo legal. Outro é a prefeitura ter decidido colocar agentes de segurança nas casas, furando a fila da habitação.

Ortiz diz que os moradores retirados das casas têm ligação com o tráfico, mas as famílias dizem que foram expulsas sob a alegação de que teriam alugado os imóveis..

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